Em Leiria, o ministro da Educação pediu ontem uma mudança de mentalidade: cidadãos e Estado precisam de estar mais preparados para choques climáticos e outras crises, mas as soluções para reforçar infraestruturas exigem decisões técnicas e prioridades claras. O apelo surge depois de tempestades que afetaram o país e deixaram consequências humanas e económicas graves.
Fernando Alexandre participou numa conferência promovida pelo jornal Região de Leiria sobre o que vem depois das calamidades e sublinhou que a preparação passa por capacitar pessoas para lidar com emergências — desde incêndios e sismos até tempestades intensas — e também por adaptar equipamentos públicos.
Ao mesmo tempo, o ministro reconheceu um problema político e técnico: não é trivial justificar grandes obras para eventos raros. Segundo ele, alguns fenómenos que ocorreram nas últimas semanas foram excepcionais e colocaram desafios que não aparecem em planos tradicionais de proteção civil.
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O presidente da Câmara de Leiria defendeu o enterramento de cabos para reduzir falhas de energia e comunicações. Alexandre disse compreender a proposta, mas salientou que enterrar redes implica custos e escolhas que obrigam a renunciar a outros investimentos — e que, naquele caso, houve postes com dimensões pouco habituais que cederam.
Na visão do governante, é indispensável reforçar a **resiliência** das infraestruturas — em particular da **rede elétrica** e da **conectividade** —, porém essas intervenções têm de ser ponderadas e orientadas por estudo técnico sólido. Sem esse equilíbrio, afirmou, aumenta o terreno fértil para respostas simplistas e discursos populistas.
Alexandre também apontou para necessidades mais amplas: educação cívica sobre riscos, investimento em tecnologia e inovação e uma maior difusão de conhecimento técnico para gerir um mundo cada vez mais complexo e incerto.
A análise ministerial incluiu menção a factores geopolíticos e sanitários que alteraram a perceção de risco na Europa — desde a possibilidade de novas pandemias até ao impacto da guerra na Ucrânia —, sublinhando que o contexto internacional já não garante a estabilidade que se dava por adquirida.
- Vítimas: Pelo menos 19 mortos em Portugal desde 28 de janeiro em consequência das depressões Kristin, Leonardo e Marta.
- Feridos e desalojados: Centenas de pessoas sofreram lesões ou foram obrigadas a sair de casa.
- Danos materiais: Milhares de habitações, empresas e equipamentos destruídos total ou parcialmente.
- Serviços afetados: Cortes de energia, água e comunicações, além de quedas de árvores e inundações generalizadas.
- Regiões mais atingidas: Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo.
- Impacto económico: Prejuízos avaliados em milhares de milhões de euros; muitas obras de recuperação em curso.
- Risco durante a recuperação: Mais da metade das mortes registadas ocorreram em trabalhos de restauro e socorro.
As declarações em Leiria deixam um duplo recado para decisores e população: é necessário agir para reduzir vulnerabilidades, mas as respostas têm de ser informadas, transparentes e compatíveis com restrições orçamentais. Investimentos “visíveis” e imediatos podem não corresponder às medidas mais eficazes a longo prazo.
Para os próximos meses, o desafio político será explicar essas escolhas e mobilizar consenso em torno de um plano que combine proteção civil, modernização de redes e formação da população. Sem esse entendimento, alertam as autoridades, as prioridades tendem a ser ditadas por reações imediatas em vez de por avaliação técnica.
As autoridades mantêm operações de reparação e avaliação de danos e prometem detalhar medidas futuras à medida que os estudos técnicos avancem; o público deverá acompanhar anúncios oficiais para saber onde serão focados os próximos investimentos.












