Reembolso para garrafas e latas: Quercus considera avanço para consumidores e ambiente

O Sistema de Depósito e Reembolso começa a funcionar em todo o país a partir desta sexta-feira e promete alterar a forma como os portugueses descartam embalagens de bebidas. A associação ambientalista Quercus saudou a medida como um impulso às metas de reciclagem, mas criticou a exclusão das garrafas de vidro do novo regime.

A nova plataforma, conhecida como SDR, aplica-se a embalagens de utilização única — garrafas de plástico e latas metálicas até três litros — e prevê a cobrança de um depósito reembolsável de 10 cêntimos por unidade. O valor será devolvido principalmente através de vouchers emitidos nas máquinas instaladas em pontos dispersos pelo país.

Segundo a Quercus, a entrada em vigor do sistema chega tardiamente, mas pode transformar-se num motor importante para cumprir os objetivos nacionais de reciclagem. A organização sublinha que, para render plenamente, é preciso esclarecer o papel do SDR em relação aos mecanismos já existentes de recolha seletiva.

O que muda Abrange Depósito Entrou em vigor
Sistema de Depósito e Reembolso Garrafas PET e latas metálicas até 3 L €0,10 por unidade (reembolsável) Sexta-feira (implementação nacional)

Um dos principais pontos de discórdia é a ausência do vidro no esquema. A Quercus lamenta que não tenha sido ponderada a retomada do sistema de retoma com tara recuperável, que já existiu em Portugal, e recorda experiências de outros países europeus — como Alemanha, Dinamarca, Finlândia e Croácia — onde as embalagens de vidro integram regimes semelhantes.

Além da crítica sobre o material excluído, a associação deixou várias recomendações práticas. Entre elas, pede maior integração com os sistemas atuais de recolha seletiva — os ecopontos e o porta-a-porta — para evitar sobreposições e confusão por parte dos consumidores.

  • Incluir o vidro no futuro alargamento do SDR;
  • Disponibilizar, para além dos vouchers em papel, um sistema de vouchers digitais acumuláveis em aplicação móvel;
  • Antecipar soluções logísticas para grandes eventos (festivais, competições desportivas) onde o consumo de bebidas é elevado;
  • Manter incentivos a alternativas mais sustentáveis, como recipientes reutilizáveis e consumo de água da torneira.

O envolvimento do pequeno comércio e do setor HoReca (hotelaria, restauração e cafetaria) é visto como positivo, mas a Quercus alerta para desafios práticos: as lojas terão de adaptar espaço e processos para aceitar devoluções, e a operação em eventos massivos exige soluções específicas para evitar filas e perda de vouchers.

Do ponto de vista do impacto, a medida pode aumentar substancialmente as taxas de recuperação de embalagens, contribuindo para as metas nacionais e europeias. Por outro lado, a não inclusão do vidro e a dependência de vouchers impressos podem limitar a eficácia e criar fricções quando os consumidores tentarem resgatar os depósitos.

Por fim, a Quercus recorda que a melhor estratégia continua a ser a redução do consumo e a reutilização — a prevenção é, para a organização, a via mais eficaz para diminuir a produção de resíduos antes mesmo de apostar apenas na sua separação e reciclagem.

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