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Durante a sessão da Comissão Parlamentar de Inquérito aos incêndios florestais, o investigador Domingos Xavier Viegas alertou para um padrão recente: muitos fogos começam à noite com origem na rede elétrica. O especialista pediu maior vigilância sobre essas ocorrências e criticou a investigação de algumas causas por falta de rigor.
Viegas, diretor do Centro de Estudos sobre Incêndios Florestais, disse que é cada vez mais comum identificar início de incêndios em linhas elétricas durante a noite, quando ventos ocasionais agravam falhas e faíscas. Para o especialista, esse fenómeno tem recebido atenção insuficiente pelas autoridades e pelos serviços de investigação.
A análise do investigador aponta ainda para falhas na determinação das causas em episódios passados. Como exemplo, mencionou o incêndio de Pedrógão Grande, em 2017, onde, segundo ele, investigações chegaram a seguir hipóteses que não se confirmaram — o que dificulta responsabilidades e medidas preventivas.
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Principais observações do perito
- Incêndios noturnos ligados à rede elétrica: falhas em linhas e estruturas fora de área urbana têm sido identificadas como pontos de partida de fogos.
- Investigação técnica: há casos em que as apurações não têm suficiente rigor técnico para esclarecer origem e responsabilidade.
- Variação de causas: embora as causas naturais sejam, em geral, reduzidas em percentagem, anos isolados — como 2025 — registaram grandes áreas ardidas por causas naturais.
- Fogo posto em crescimento: a área queimada por incêndios intencionais tende a aumentar, segundo o investigador.
- Outras causas: o tabaco foi identificado como causa significativa no último ano, enquanto pirotecnia e queimadas agrícolas mostram tendência de queda.
O investigador sublinhou que Portugal é um dos países europeus com maior tradição de estudo sobre as origens dos incêndios e que, globalmente, a percentagem de causas não esclarecidas tem diminuído. Ainda assim, alertou para a necessidade de melhorar os métodos forenses e a cooperação entre entidades para evitar conclusões precipitadas.
Implicações para políticas públicas
Se a rede elétrica estiver, de facto, na origem de numerosos fogos noturnos, há consequências práticas imediatas: revisão de manutenção das linhas, instalação de sistemas de monitorização em áreas críticas, e protocolos mais robustos para resposta rápida. Melhorar a qualidade das investigações também é essencial para orientar ações preventivas e sancionar eventuais responsabilidades.
Na sessão, foi lembrado que a Comissão Parlamentar de Inquérito — proposta pelo partido Chega — tem por objetivo analisar causas, gestão e possíveis interesses económicos relacionados com grandes fogos. A intervenção de especialistas como Viegas tende a moldar o debate sobre prioridades de prevenção e fiscalização.
Em síntese, o alerta é duplo: proteger ativos e pessoas requer tanto manutenção e monitorização da rede elétrica quanto apurações científicas e independentes das origens dos incêndios. Sem esses dois vetores, medidas de prevenção e de responsabilização ficam comprometidas.












