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Três câmaras do distrito da Guarda selaram um acordo para recuperar margens e ecossistemas dos rios que nascem na Serra da Estrela, trabalhos que têm impacto direto no abastecimento de água a cidades como Coimbra e Lisboa. A iniciativa, assinada na Guarda, prevê intervenções ao longo de dezenas de quilómetros e candidaturas a fundos regionais.
A cerimónia, realizada na segunda-feira no museu da cidade, juntou representantes dos municípios da Guarda, Celorico da Beira e Manteigas. Em comum está a meta de preparar estudos prévios e projetos de execução para submeter uma candidatura ao aviso Centro2030-2024-38, que financia ações ambientais e de adaptação ao clima.
O que vai ser feito
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Os trabalhos combinam ações de emergência — agravadas pelas tempestades recentes — com medidas de longo prazo para tornar as linhas de água mais resilientes e acessíveis.
- Limpeza e desobstrução dos leitos, removendo sedimentos e detritos acumulados.
- Reposição e consolidação de margens danificadas, incluindo a criação de bacias de dissipação para reduzir erosão futura.
- Reabilitação de ecossistemas ribeirinhos, com reflorestação e controlo de espécies invasoras.
- Instalação de percursos pedestres e trilhos ao longo das margens para promover uso público e educação ambiental.
- Criação de zonas de lazer e de corredores ecológicos que liguem mosaicos naturais fragmentados.
- Estudo e implementação de reservatórios de retenção de água para regularizar disponibilidade entre inverno e verão.
No conjunto, as intervenções cobrirão trajetos significativos: cerca de 51 km ao longo do rio Mondego (nos concelhos da Guarda e Celorico da Beira) e aproximadamente 25 km no Zêzere (Guarda e Manteigas). As ações incluem ainda a melhoria da estrutura arbórea e a manutenção dos espaços florestais adjacentes.
Quanto vai custar e quem paga
Os responsáveis locais estimam que o investimento necessário ultrapasse os 10 milhões de euros, sobretudo depois dos danos causados pelas tempestades de fevereiro, que agravaram a erosão e a perda de margens.
Os três municípios esperam obter uma forte comparticipação do programa regional: a intenção é candidatar-se com apoio de cerca de 85% do custo pelo Centro2030, ficando os restantes 15% a cargo das autarquias.
Por que isto importa agora
Além do valor ambiental, a recuperação tem consequências práticas para milhões de pessoas: os rios intervencionados integram bacias que alimentam sistemas de abastecimento urbano — com efeitos diretos sobre a disponibilidade de água potável em cidades como Coimbra e, em cadeia, em Lisboa.
Se as margens não forem reforçadas e os leitos limpos, o risco de novas perdas de solo, comprometimento de infraestruturas e diminuição da qualidade da água aumenta. A proposta dos municípios procura reduzir esses riscos e, ao mesmo tempo, promover o uso público e o turismo de natureza.
Os presidentes das câmaras classificaram o protocolo como uma parceria para tratar um problema comum: transformar os rios de espaços negligenciados em ativos para a população e para a biodiversidade local. Além disso, defenderam a criação de mecanismos para armazenar água em épocas de excesso e garantir abastecimento em períodos de seca — uma preocupação já verificada em anos anteriores.
Próximos passos: elaboração dos estudos prévios, projetos de execução e submissão da candidatura ao aviso Centro2030-2024-38. Se aprovados, os trabalhos serão calendarizados e os municípios avançarão com a execução das intervenções previstas.












