Barcelos: ETAR de 37,5 milhões avança e promete funcionar até fim de 2028

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A Câmara de Barcelos aprovou um projeto atualizado para construir uma nova Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR), um investimento público de mais de 37,5 milhões de euros que visa reduzir a poluição do rio Cávado e responder ao crescimento urbano e industrial do concelho. O calendário prevê o lançamento do concurso ainda em 2026 e a conclusão das obras até o fim de 2028, se forem obtidos os pareceres ambientais necessários.

A atual ETAR, em funcionamento desde 1999, é considerada insuficiente face às exigências atuais. Segundo a autarquia, o equipamento vigente apresenta limitações que comprometem o tratamento adequado das descargas e aumentam o risco para a qualidade da água e a biodiversidade local.

Por que o investimento é urgente

O novo projeto aparece no Plano Estratégico de Abastecimento de Água e Saneamento (PENSAARP 2030) como uma prioridade para corrigir “passivos ambientais graves”. A maior parte das descargas a tratar — cerca de 35% — tem origem industrial, sobretudo do setor têxtil, e inclui corantes e compostos orgânicos de difícil degradação.

Esses efluentes exigem processos mais sofisticados do que os atualmente disponíveis no concelho. Sem intervenção, a poluição continua a afetar habitats sensíveis ao longo do Cávado, incluindo áreas integradas no Parque Natural do Litoral Norte.

Tecnologia e funcionamento

O projeto combina etapas biológicas e tratamentos complementares para remover matéria orgânica, azoto e poluentes resistentes. A estratégia básica contempla o uso de microrganismos selecionados que promovem um tratamento biológico prolongado e eficiente, reduzindo a necessidade de equipamentos adicionais para remoção de nitrogénio.

Na fase seguinte, a água submetida ao processo biológico será refinada por meio de filtros de alta precisão e pela aplicação de ozono, com o objetivo de eliminar coloração e substâncias recalcitrantes características das tinturarias.

  • Orçamento: superior a 37,5 milhões de euros
  • Cronograma estimado: concurso em 2026; obras concluídas no final de 2028
  • Beneficiários: mais de 73 mil habitantes ligados à rede em 2029 (estimativa)
  • Composição das descargas: ~35% industriais, maioritariamente têxtil
  • Tecnologias-chave: tratamento biológico com microrganismos, filtros finos e ozono

O projeto também prevê medidas de eficiência energética: arejadores de baixo consumo, motores com acionamento por procura e produção própria de energia por painéis solares, complementados por uma pequena central hidroelétrica que aproveitará o caudal da água já tratada.

Além disso, a gestão de resíduos do processo foi pensada para reduzir desperdício: linhagens de reuso interno da água tratada, reaproveitamento de areias retidas e reutilização de materiais provenientes de demolição.

Impactos ambientais e sociais

Quando operacional, a ETAR devolverá água com parâmetros compatíveis com a legislação ao rio Cávado, contribuindo para a recuperação de habitats ribeirinhos e para a proteção de espécies locais, como a lontra. A autarquia ressalta que a redução da carga poluente terá efeitos diretos sobre a qualidade da água e benefícios indiretos para a saúde pública.

O avanço do processo depende agora da emissão da declaração de impacte ambiental pela Agência Portuguesa do Ambiente e do parecer final da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte. Só após essas autorizações poderá ser aberto o concurso para a construção.

Enquanto isso, a Câmara garante que a intervenção será a mais relevante já feita no concelho para a despoluição do Cávado, com foco em tecnologias modernas, eficiência energética e minimização de resíduos.

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