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Nos últimos quatro anos, a Guarda Nacional Republicana (GNR) expulsou 51 militares por condutas consideradas incompatíveis com a função, enquanto uma fatia relevante dos candidatos não supera os testes psicológicos de seleção. A combinação entre retenção de padrões disciplinares e um grande curso de formação em andamento torna este um momento decisivo para o reforço do efetivo e para a confiança pública na corporação.
Em entrevista recente — a primeira desde que tomou posse em setembro de 2023 — o comandante‑geral Rui Veloso detalhou as medidas disciplinares e os critérios de entrada que a GNR mantém.
Expulsões e condutas pessoais
GNR: mais de 500 candidatos eliminados por falhas nos testes psicológicos
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Entre 2022 e 2025, 51 elementos foram afastados da GNR por comportamentos que a hierarquia considerou graves, 13 desses casos ocorrendo apenas neste ano civil. As razões apontadas incluem atos cometidos fora do serviço — como episódios de violência doméstica e burlas —, além de infrações praticadas em serviço.
O regulamento interno e o código deontológico da corporação exigem que o militar mantenha uma postura exemplar tanto na carreira como na vida privada, e as sanções refletem essa exigência.
Probação e avaliação contínua
Os militares recém‑formados entram num período probatório de um ano, durante o qual são avaliados de forma permanente pelos superiores. Caso esses avaliadores identifiquem atitudes incompatíveis com os valores da Guarda, o quadro prevê o afastamento imediato.
Em 2026 já foi registado pelo menos um afastamento nesse regime. A prática mostra-se uma ferramenta ativa de garantia de conduta, não apenas uma formalidade administrativa.
A seleção psicológica e a taxa de chumbos
A GNR aplica um conjunto amplo de provas de seleção — técnicas, físicas, médicas e psicológicas — e mantém um foco especial nas avaliações que medem traços de personalidade. Nos últimos cursos, entre 30% e 35% dos candidatos foram reprovados especificamente nas provas psicológicas.
Em números absolutos, isso traduz‑se em cerca de 550 a 600 candidatos eliminados por curso, consistência que se repetiu ao longo dos últimos três anos. A liderança da GNR garante que os testes não serão flexibilizados, mesmo perante pressões por efetivo.
| Indicador | Valor |
|---|---|
| Militares expulsos (últimos 4 anos) | 51 |
| Expulsões em 2026 (até agora) | 1 |
| Taxa média de chumbo em testes psicológicos | 30–35% |
| Candidatos reprovados por curso (aprox.) | 550–600 |
| Candidatos no curso atual | 800 |
Impacto imediato e próximas etapas
O curso em curso, com 800 candidatos, deverá representar um acréscimo significativo ao efetivo já no final do ano; a planificação prevê estágio de verão e colocação operacional subsequente. Para o comandante‑geral, isto permitirá conciliar o reforço de recursos humanos com a manutenção de padrões seletivos.
- Manutenção do rigor psicológico: evita entrada de perfis incompatíveis, reforçando a segurança pública.
- Probação ativa: retira do quadro quem não demonstra conduta adequada mesmo após formação.
- Reforço do efetivo previsto ainda em 2026: potencial para reduzir lacunas operacionais no terreno.
- Transparência institucional: expulsões por condutas privadas ressaltam a responsabilidade social dos militares.
Além disso, a GNR teve de adaptar práticas desde a implementação, em 2021, do Plano de Prevenção de Manifestação de Discriminação elaborado pela Inspeção‑Geral da Administração Interna (IGAI). Segundo Veloso, a corporação já dispunha de diretivas sobre direitos humanos, mas o plano introduziu mudanças concretas em processos de recrutamento, programas de formação e mecanismos de controlo interno.
Em suma, a mensagem transmitida pela liderança é clara: assegurar integridade e confiabilidade da corporação tem precedência sobre o alívio imediato da escassez de efetivos. Para a população, isso significa um compromisso público com padrões éticos mais elevados, mesmo que o caminho passe por eliminar candidatos e afastar militares quando necessário.












