Portugal amplia constelação satelital: Força Aérea recebe dois novos satélites

Portugal reforçou esta semana a vigilância do Atlântico com a compra de dois satélites de observação à empresa finlandesa ICEYE, financiados pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e operados pela Força Aérea. A aquisição eleva para quatro o número de aparelhos na iniciativa conhecida como Constelação do Atlântico, com impacto direto na supervisão da Zona Económica Exclusiva e dos arquipélagos portugueses, mesmo à noite ou com céu encoberto.

A operação foi concretizada pelo CTI Aeroespacial, consórcio que inclui a Força Aérea, o CEiiA e a Geosat, segundo resposta oficial ao jornalismo. Os dois novos satélites usam tecnologia SAR (Radar de Abertura Sintética), capaz de gerar imagens de alta resolução independentemente da luminosidade e das condições meteorológicas, recurso útil para rotinas de vigilância contínua.

Os aparelhos juntam-se a outros dois lançados na primeira metade do ano, formando assim a chamada Constelação do Atlântico. A Força Aérea destaca que a expansão permitirá atribuir missões e obter dados com maior rapidez, transformando os meios espaciais nacionais numa capacidade mais ágil para o domínio marítimo.

Além da vigilância regular, a Força Aérea aponta aplicações práticas e imediatas:

  • Monitorização da ZEE e deteção de atividade pesqueira ilegal;
  • Vigilância do tráfego marítimo e apoio à segurança das rotas;
  • Deteção de derrames e avaliação de poluição marinha;
  • Assistência em operações de busca e salvamento;
  • Resposta e avaliação de danos em catástrofes naturais.

Os satélites serão colocados em órbitas baixas com inclinação ajustada para dar cobertura reforçada aos arquipélagos da Madeira e dos Açores, segundo a Força Aérea. A empresa finlandesa sublinha que a constelação acelera o ciclo de tarefa–recolha de dados, o que pode reduzir tempos de resposta em operações marítimas e de proteção dos recursos nacionais.

Para o Chefe do Estado-Maior da Força Aérea, general Sérgio da Costa Pereira, a aquisição aumenta a capacidade de ação soberana de Portugal no espaço marítimo que lhe cabe fiscalizar. Ainda não há calendário público detalhado para os próximos lançamentos nem para a operacionalização plena da constelação, de acordo com os comunicados disponíveis.

O avanço tem implicações práticas imediatas: além de reforçar a vigilância de áreas remotas, a disponibilidade de imagens SAR em tempo quase real pode melhorar a coordenação entre serviços de proteção civil, autoridades marítimas e forças de segurança, reduzindo lacunas na resposta a incidentes no Atlântico.

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