Monte Evereste: acampamento mais alto vira depósito de lixo e reabre debate sobre lotação

O acampamento mais alto do Monte Everest, conhecido como Camp IV, enfrenta uma crescente acumulação de resíduos que inclui desde tendas antigas até botijas de oxigénio — alguns itens remontam a 1957. A descoberta ocorre no pico da temporada de subidas, quando imagens de filas e um número recorde de autorizações colocam nova pressão sobre autoridades e operadoras.

Localizado a cerca de 7.900 metros, o acampamento antes do ataque final ao cume concentra agora materiais abandonados que perturbam a paisagem e podem comprometer a segurança das expedições. Equipa responsável por limpezas no local relata um quadro persistente de lixo deixado por anos.

De acordo com responsáveis pelas operações de recolha e com relatos publicados pelo Everest Today e por veículos internacionais, os vestígios mais comuns no local são variados e incluem equipamento de escalada e resíduos de consumo.

  • Tipos de detritos: tendas degradadas, embalagens de alimentos, recipientes de gás, garrafas de oxigénio, sacos de transporte e cordas.
  • Idade de alguns itens: objectos identificados que datam de 1957, indicando presença humana e abandono ao longo de décadas.
  • Local e impacto: Camp IV (~7.900 m) é o último ponto de descanso antes do cume; a acumulação compromete paisagem, logística e pode gerar riscos para alpinistas.
  • Contexto atual: imagens de 21 de maio mostraram longas filas rumo ao topo, numa época em que o Nepa autorizou um número recorde de 492 licenças de ascensão.

Ang Babu Sherpa, que coordena operações de limpeza, descreve o tipo de material recolhido e a persistência do problema em declarações a meios internacionais. As fotografias que circulam nas redes sociais reforçaram a percepção pública de que a montanha tem sofrido com a pressão da comercialização das expedições.

As consequências são múltiplas: além do impacto visual e ambiental, o lixo em altitude pode dificultar operações de resgate, atrapalhar rotas e tornar mais complexa a logística de remoção. A ampla concessão de licenças nesta temporada reabre o debate sobre limites, fiscalização e políticas de responsabilidade por parte de guias e empresas.

Especialistas e organizações que acompanham o fenómeno defendem medidas como reforço das regras de “leave no trace”, depósitos ou fianças para equipas de escalada, e expedições organizadas de remoção de lixo. Até ao momento, as autoridades nepalesas não anunciaram alterações imediatas às permissões emitidas nesta temporada.

Com a época de ascensões a prosseguir, a situação no Camp IV será um indicador chave da capacidade de gerir turismo extremo sem degradar irreversivelmente um dos ambientes mais sensíveis do planeta. Monitorizar as próximas semanas e as decisões das autoridades será essencial para avaliar se há mudança de rumo.

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