A nova exposição “Do Mártir Santo à Galache”, inaugurada a 30 de maio no Núcleo Museológico do Mártir Santo, reconstrói mais de cinco séculos da história da Rua Dr. Miguel Bombarda — a famosa Rua Direita de Vila Franca de Xira. A mostra, com entrada gratuita até 11 de outubro, combina fotografias, documentos e memória oral para explicar por que esse território continua central na identidade local.
Organizada pelo Museu Municipal de Vila Franca de Xira e instalada na Igreja do Mártir Santo São Sebastião, a exposição propõe um percurso cronológico que parte do final do século XVI e chega aos dias de hoje. Os materiais expostos permitem perceber transformações urbanas, sociais e económicas que moldaram a vida da cidade.
Entre os elementos em exibição estão registos paroquiais, fotografias de cerimónias e do comércio tradicional, além de objetos do dia a dia que ilustram rotinas e profissões desaparecidas. A composição privilegia fontes locais e depoimentos de quem viveu a Rua Direita ao longo das décadas.
Rua Direita de Vila Franca de Xira em foco: mostra conta cinco séculos de história
Armazenamento no limite: elimine apps esquecidas e recupere espaço
- Documentos históricos: registos de baptizados e outros arquivos paroquiais;
- Imagens: fotografias de casamentos, estabelecimentos e cenas de rua;
- Objetos: carimbos comerciais antigos, ferramentas e peças de comércio;
- Memória oral: testemunhos de residentes que ajudaram a montar a mostra;
- Descobertas curatoriais: referência à sede do semanário O Pensamento e a presença de tipografias, restaurantes, oficinas e sapatarias ao longo da artéria.
O envolvimento da comunidade foi decisivo para o projeto. Segundo o presidente da Câmara, Fernando Paulo Ferreira, muitas contribuições vieram de moradores ou famílias com ligações de longa data à Rua Direita, cujas lembranças enriqueceram o acervo e a narrativa exibida.
A curadoria está a cargo de Idalina Mesquita e Inês Rodrigues, que destacam como a pesquisa trouxe à tona atividades que hoje parecem surpreendentes — tipografias, ferros-velhos e até serviços funerários partilhavam o mesmo quarteirão em épocas diferentes. Esses achados ajudam a compreender camadas sociais e económicas que não aparecem em guias urbanos contemporâneos.
Além de documentar o passado, a exposição tem uma vocação dinâmica: mantém-se aberta a novos donativos e contributos da população. A câmara municipal garante que continuará a acolher fotografias, relatos e objetos que possam acrescentar informação à memória coletiva.
Por que isto importa agora? Recuperar e tornar acessível essa documentação permite analisar processos de transformação urbana e preservar referências identitárias num momento em que as cidades reconfiguram espaços e comércio. Para historiadores locais, planeadores urbanos e moradores, a mostra funciona como fonte primária e instrumento de diálogo intergeracional.
Informações práticas: entrada gratuita; local — Núcleo Museológico do Mártir Santo (Igreja do Mártir Santo São Sebastião); período de visitação até 11 de outubro. Para quem vive em Vila Franca de Xira ou visita a região, a exposição oferece uma janela para entender como a Rua Direita contribuiu para formar a cidade que se vê hoje.











