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A Festa do Futuro volta a desafiar a fragilidade dos apoios públicos: a terceira edição, marcada para 1 e 2 de agosto de 2026 na aldeia do Souto (Abrantes), corre risco de perder parte da programação musical sem uma última injeção de financiamento. A organização lançou uma campanha de financiamento coletivo para garantir concertos e aluguer de equipamento; a iniciativa ganha urgência por tratar-se também de um fórum local sobre água e clima.
A Associação Além Mundus, promotora do festival, estabeleceu como meta cerca de 5.000 euros para cobrir os custos musicais e técnicos que ficaram descobertos após o corte de apoios públicos recebidos em edições anteriores. A campanha decorre na plataforma PPL até 13 de julho; no dia 16 de junho já reunia cerca de 2.100 euros, pouco mais de 39% do objetivo.
Atualmente, o evento conta apenas com o apoio municipal do programa Finabrantes, no valor de 5.600 euros, montante que assegura parte da programação mas não permite manter a totalidade do cartaz previsto. Segundo a direção da associação, as despesas mais pressionantes são os cachês e o aluguer de som e iluminação — itens determinantes para a realização dos concertos.
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O que está em jogo
Para além do espetáculo, a edição de 2026 tem um cunho comunitário e de debate público que a organização considera essencial:
- Temática: a edição centra-se na água — recursos hídricos, inundações e o impacto da barragem de Castelo de Bode.
- Diálogo cívico: debates sobre fenómenos climáticos extremos e gestão de recursos, com participação de habitantes e associações locais.
- Vitrine local: feira de artesanato e artigos em segunda mão, com cerca de duas dezenas de expositores e presença de coletivos e produtores regionais.
Mesmo com limitações orçamentais, a organização já confirmou várias atividades culturais: teatro, dança, oficinas, caminhadas temáticas, uma mostra de curtas-metragens, uma exposição sobre tempestades que afetaram o país e a pintura de um mural comunitário dedicado ao tema da água.
Impacto na comunidade e relevância
O festival pretende reforçar a ideia de que o interior pode ser um espaço ativo de criação e de reflexão sobre futuro ambiental e social. Se a componente musical for reduzida, perde-se não só um atrativo para o público como também uma fonte de rendimento e visibilidade para artistas e comerciantes locais.
Para residentes e visitantes, o evento tem dupla função: animação cultural e oportunidade de discutir problemas concretos do território — desde a gestão de cheias até as consequências da barragem de Castelo de Bode na bacia hidrográfica.
Quem quiser apoiar encontra a campanha na plataforma PPL; a contribuição pode decidir se a programação mantém a ambição original ou sofre cortes que afetarão a dinâmica do festival.
Calendário e próximos passos
Datas-chave:
- Festival: 1 e 2 de agosto de 2026, aldeia do Souto (concelho de Abrantes).
- Campanha de financiamento coletivo: até 13 de julho de 2026, na plataforma PPL.
- Apresentação do programa completo: 19 de julho de 2026, na aldeia de Matagosa, freguesia do Carvalhal.
O anúncio final do cartaz e a confirmação dos eventos dependerão do resultado da campanha. A organização sublinha que, mesmo em cenário reforçado por apoios, a edição manterá o enfoque comunitário e a prioridade em promover discussões sobre água e clima.











