Jovens de bairros sociais em Lisboa descobrem futuro na robótica e no gaming

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Durante uma semana, cerca de 200 jovens e duas dezenas de seniores de vários bairros municipais de Lisboa participaram na Semana Digital organizada pela Gebalis, num programa que combinou formação em tecnologia com projetos práticos. A iniciativa deixou propostas concretas — de um braço robótico a reconstruções em Minecraft — e aponta para efeitos imediatos na inclusão digital e nas oportunidades futuras dos participantes.

Projetos que misturam criatividade e utilidade

O destaque do encerramento, na Escola Secundária D. Dinis, foi um protótipo de braço robótico montado com peças tipo Lego, cuja abertura e fecho é controlada por programação a partir de um computador. A solução foi pensada para auxiliar pessoas que nasceram sem um membro e foi construída pelos jovens como exercício de design e propósito social.

Segundo um dos participantes, um adolescente da Ameixoeira, a experiência não foi apenas técnica: serviu para mostrar que tecnologia pode ser aplicada para resolver problemas reais. O formador responsável pela área de programação robótica sublinhou a criatividade do grupo e explicou que o tema deste ano era a diversidade — daí a aposta num projeto com aplicação assistiva.

Gaming como ferramenta de memória e identidade

Em paralelo, equipas de outros bairros criaram mundos no Minecraft para representar o local onde vivem. No Casalinho da Ajuda, raparigas de 11 e 15 anos reconstruíram casas, um campo de futebol e a associação local — espaços que funcionam como pontos de referência comunitária.

Esses projetos funcionaram como uma ponte entre o lazer digital e a valorização do território: ao transformar o bairro em jogo, os jovens reforçaram vínculos e praticaram competências técnicas e de trabalho em equipa.

Formação para todas as idades

A Semana Digital não se limitou aos mais novos. Um grupo de 20 seniores frequentou sessões sobre e-mail, mensagens e outros serviços essenciais, com impacto direto na redução do isolamento social.

Uma participante de 73 anos, moradora no Condado, descreveu a experiência como uma forma de continuar ativa e de recuperar confiança no uso das ferramentas digitais, salientando também o valor social do encontro entre moradores.

  • Competências técnicas: programação básica, robótica e edição de jogos.
  • Competências sociais: trabalho em equipa, sentido comunitário e comunicação.
  • Inclusão: literacia digital para seniores e jovens de contextos vulneráveis.
  • Potencial profissional: portas abertas para formação técnica e emprego nas áreas digitais.

O que está em jogo

Para a administração da Gebalis, que gere 66 bairros municipais, o objetivo é claro: usar a tecnologia como instrumento de inclusão, reduzindo desigualdades no acesso ao conhecimento e criando caminhos para o futuro profissional dos jovens. A organização anunciou a continuidade do programa, já na sua quarta edição.

Formadores e organizadores veem a Semana Digital como um investimento em capital humano: além de transmitir noções técnicas, o ciclo de atividades estimula ambição e dá aos participantes ferramentas para explorar oportunidades que, de outro modo, lhes seriam menos acessíveis.

Em termos práticos, a iniciativa produz efeitos imediatos — mais autonomia no uso de serviços digitais entre idosos e portefólios de projetos entre jovens — e um potencial impacto a médio prazo na empregabilidade e na coesão social das comunidades envolvidas.

Perspetivas

Embora os resultados concretos dependam de continuidade e de novos investimentos, a experiência mostra que intervenções curtas, mas intensivas, podem ativar interesse e competências tecnológicas em contextos onde a literacia digital é limitada. Para muitos participantes, a próxima etapa é transformar o entusiasmo em formação contínua.

No campo das políticas locais, a Semana Digital serve como exemplo de como parcerias públicas e programas focados podem contribuir para inclusão, capacitação e para o surgimento de novos talentos nas áreas de robótica e inteligência artificial.

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