Mostrar resumo Ocultar resumo
O Banco de Portugal estima uma inflação de 3,1% para este ano e aponta para uma trajetória que volta a valores próximos de 2% nos anos seguintes, mas identifica riscos que podem elevar os preços novamente em 2026. O contraste com a previsão do Governo — 2,5% em 2026 — amplia o debate sobre política monetária e os efeitos do conflito no Médio Oriente sobre os custos energéticos.
Projeções do Banco de Portugal e factores de subida
No Boletim Económico divulgado esta segunda-feira, o BdP reafirma a previsão de 3,1% de inflação para o ano em curso e prognozisa uma descida para níveis próximos dos 2% posteriormente. Ainda assim, o documento sublinha que a inflação pode subir em 2026 devido ao encarecimento do petróleo.
Inflação deverá situar-se em 3,1% este ano, segundo o Banco de Portugal
Santarém: Santos Populares transformam centro histórico em rua de festa
O relatório observa, nas palavras do próprio texto, que: “A subida da inflação em 2026 reflete, em larga medida, o aumento do preço do petróleo associado à guerra no Irão, que afetou uma parcela significativa do abastecimento mundial de matérias-primas energéticas”.
O Executivo, por sua vez, remeteu a Bruxelas projeções atualizadas em abril que apontam para uma inflação de 2,5% em 2026, uma estimativa inferior àquela que o BdP coloca no horizonte.
BCE, juros e prevenção de uma espiral inflacionista
Perante o cenário de pressões inflacionistas, o governador do Banco de Portugal defendeu a subida das taxas de juro decidida pelo Banco Central Europeu. Segundo ele, a medida teve como objetivo evitar que o aumento de preços se propagasse de forma descontrolada.
Na conferência de apresentação do Boletim, em Lisboa, o governador frisou que a decisão do BCE foi “foi consensual”, enquadrando-a num contexto em que não só a energia, mas também os preços dos fertilizantes, estão a subir e a pressionar outros bens e serviços.
Guerra no Médio Oriente: impacto económico e acordo em negociação
O BdP alerta que o efeito do conflito sobre a economia portuguesa dependerá em grande medida da duração das hostilidades. Uma resolução prolongada pode manter a pressão nos preços de energia; uma distensão poderia aliviar esse impacto, mas só ao fim de algum tempo.
Fontes citadas no boletim referem que Estados Unidos e Irão preparam-se para assinar esta semana um acordo negociado com mediação do Paquistão, previsto para desbloquear o tráfego no Estreito de Ormuz. Ainda assim, permanecem dúvidas sobre questões nucleares e os fundos iranianos congelados.
Álvaro Santos Pereira considerou que, se o acordo se concretizar, será uma notícia positiva que deverá ajudar a economia. Contudo, advertiu que os efeitos não serão imediatos: mesmo com o estreito reaberto, poderá “demorar alguns meses para todas as operações voltarem ao normal”, devido a infraestruturas petrolíferas e centrais que foram atingidas e que exigem tempo para serem reativadas.











