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Um estudo coordenado por um docente do Instituto Superior Miguel Torga (ISMT), em Coimbra, conclui que as taxas de juro influenciam o mercado da habitação, mas que o crescimento económico e a escassez de oferta têm impacto maior nos preços em Portugal. A investigação traça a evolução do setor entre 2000 e 2025 e aponta fatores estruturais que mantêm a compra de casa difícil para muitas famílias.
Metodologia e equipa
A investigação, intitulada “Evolution of the Real Estate Market in Portugal in the 21st Century”, foi assinada por Fernando Oliveira Tavares (ISMT e Universidade Portucalense), Luís Pacheco e Margarita Carvalho (ambos da Universidade Portucalense) e Elisabeth T. Pereira (Universidade de Aveiro).
Duas razões que explicam o preço elevado da habitação
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Os autores analisaram 100 observações trimestrais, cobrindo o período entre 2000 e 2025, e utilizaram dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), do Banco de Portugal e do Eurostat.
Por que as casas continuam caras
Segundo o investigador que coordenou o trabalho, as taxas de juro são relevantes, mas o efeito mais imediato sobre os preços resulta das condições de crescimento económico e da oferta de habitação. Em particular, o aumento do rendimento disponível das famílias exerce um papel determinante na pressão sobre os valores imobiliários.
Em termos práticos, isto significa que, mesmo com juros elevados, a combinação de mais rendimento e oferta insuficiente tende a sustentar ou elevar preços no curto prazo.
Queda drástica da construção e subida dos custos
Os autores destacam uma redução acentuada na construção de habitação nova desde o início do século. A produção de novas casas caiu cerca de 70%, criando um débito estrutural de oferta que o mercado não recuperou.
Ao lado dessa queda estrutural está a subida expressiva dos custos de construção: na última década, os preços dos insumos ligados à obra aumentaram mais de 40%. A reabilitação nos centros urbanos também é praticamente inexistente, o que agrava o desajuste entre procura e oferta.
Implicações políticas e mercado de arrendamento
Os investigadores sugerem que medidas fiscais poderiam contribuir, mas sublinham que o principal limitador dos preços é a oferta insuficiente frente a uma procura ainda elevada. A acumulação de anos com pouca construção explica, em grande parte, a pressão sobre os valores.
Além disso, observou-se que quem chega a Portugal para trabalhar tende, inicialmente, a recorrer ao mercado de arrendamento em vez da compra. Este padrão reforça a procura por habitação sem a simultânea expansão da oferta.
Limites do estudo e próximas perguntas
O foco do trabalho foi o mercado de compra de habitação. Os autores assinalam que seria pertinente estender a análise ao mercado de arrendamento para obter uma visão mais completa das dinâmicas residenciais em Portugal.
Em suma, o estudo aponta que a combinação de oferta muito baixa, custos de construção em alta e rendimentos que se mantêm ou crescem mantém a pressão sobre os preços, tornando mais difícil o acesso à compra de casa no país.











