Valor investido em certificados de aforro regista recorde histórico enquanto portugueses continuam a apostar

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O dinheiro aplicado em produtos de poupança do Estado voltou a subir em maio, atingindo um novo máximo histórico nos registros do Banco de Portugal. O movimento prolonga uma tendência de quase dois anos e altera a composição das poupanças dos particulares entre diferentes instrumentos de dívida pública.

Recorde nos certificados de aforro

Em maio, o montante em certificados de aforro (CA) atingiu 42.447 milhões de euros, um aumento homólogo de 13,2%, revela o Banco de Portugal. Trata‑se do valor mais elevado desde o início da série estatística, em dezembro de 1998.

O crescimento acelerou face a abril, quando o aumento homólogo tinha sido de 12,6%. Em termos absolutos, havia no final de maio mais 4.949 milhões de euros colocados em CA do que no mesmo mês de 2025 e 756 milhões de euros a mais do que em abril.

Maio marcou o 20.º mês consecutivo de ascensão no montante total aplicado nestes títulos.

Como mudou o interesse dos aforradores

Depois de uma fase de procura intensa — estimulada pela subida das taxas Euribor — os CA tinham perdido atratividade quando, em junho do ano passado, a série em comercialização passou da chamada «série E» para a «série F», com juros inferiores.

Ainda assim, os aforradores regressaram a este produto, cuja recuperação compensou parcialmente outros movimentos no mercado de dívida doméstica.

Queda nos certificados do tesouro

Os certificados do tesouro (CT) registaram um recuo em maio, situando‑se em 6.751 milhões de euros. Esse valor representa uma diminuição de 220 milhões face a abril e uma quebra homóloga de 24,8% — menos 2.221 milhões de euros.

O montante em CT é o mais baixo desde abril de 2015, depois de uma trajetória descendente que começou em outubro de 2021, altura em que o valor tinha alcançado 17.865 milhões de euros.

Segundo a Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP), em abril as emissões líquidas de novos CT foram reduzidas: saíram apenas 13 milhões em emissões, enquanto os resgates totalizaram 207 milhões de euros.

Dívida do Estado e outros títulos

Os dados do BdP também refletem uma subida da dívida direta do Estado, que cresceu 3,8% em termos homólogos e ficou em 316.651 milhões de euros — um aumento de 4.548 milhões face ao mês anterior.

Entre outros instrumentos, as obrigações do tesouro (OT) aumentaram 3,2% em termos homólogos, para 182.905 milhões de euros. Já os bilhetes do tesouro (BT) registaram um avanço mais acentuado, subindo 35,9% para 14.422 milhões de euros.

Para efeito de comparação histórica, o valor mais baixo registrado em certificados de aforro ocorreu em novembro de 2012, no contexto do programa de assistência financeira, quando o montante aplicado nesses títulos caiu para 9,7 mil milhões de euros.

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