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A associação cultural Além Mundus lançou uma campanha de financiamento colectivo para garantir a componente musical da terceira edição da Festa do Futuro, marcada para 1 e 2 de agosto na aldeia do Souto, concelho de Abrantes. A iniciativa precisa de cerca de 5.000 euros depois de perder apoios que, em edições anteriores, cobriam parte significativa dos custos — situação que torna a realização completa do festival incerta.
Por que isto importa agora
O apelo surge com prazos apertados: a angariação decorre na plataforma PPL até 13 de julho e, na mesma campanha, a organização já recolheu mais de 2.100 euros (dados de 16 de junho). Se a meta não for alcançada, há risco real de cortes na programação, sobretudo nos concertos e nas estruturas de som e luz, os itens mais caros do orçamento.
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Para os residentes e para quem acompanha projetos culturais no interior, a perda desses elementos implica menos público, menor visibilidade para artistas locais e um desconto na capacidade do festival de promover debate sobre questões ambientais — tema central desta edição.
O cenário financeiro
Atualmente, a organização conta apenas com o apoio do programa municipal Finabrantes, no valor de 5.600 euros, que cobre parte das actividades mas não garante a realização da totalidade das iniciativas previstas. A ausência de outros subsídios públicos alimentou a opção pelo financiamento colectivo como alternativa imediata.
- Datas do festival: 1 e 2 de agosto
- Objetivo da campanha: cerca de 5.000 euros
- Plataforma de angariação: PPL (campanha até 13 de julho)
- Valor já recolhido: mais de 2.100 euros (estado a 16 de junho, ~39% da meta)
- Apoio confirmado: Finabrantes — 5.600 euros
- Principais custos em risco: concertos, aluguer de equipamento de som e iluminação
Programação e prioridades
Criado em 2024, o festival posiciona-se como um projecto de base comunitária que combina cultura, participação cívica e reflexão ambiental. Depois de edições com temas como o “Colectivo” e a “Floresta”, a terceira edição tem como eixo a Água.
Apesar das limitações orçamentais, a organização já assegurou várias actividades: peças de teatro, dança, oficinas, caminhadas temáticas, uma mostra de curtas-metragens e uma exposição sobre tempestades que assolaram o país. Também está prevista a pintura de um mural comunitário dedicado ao tema da água.
A programação pretende ainda promover debates sobre fenómenos climáticos extremos, gestão dos recursos hídricos, cheias e o impacto da barragem de Castelo de Bode na região — assuntos com repercussões directas para populações locais e agricultores.
Impacto local e cultural
Para a direção da Além Mundus, o festival não é só um evento de fim de semana: trata-se de afirmar o interior como espaço de criação e encontro, valorizando produtores, artesãos e iniciativas comunitárias. A redução da componente musical pode enfraquecer esse efeito, diminuindo o fluxo de visitantes e a dinâmica económica gerada pelo evento.
Além do programa cultural, a edição volta a incluir uma feira de artesanato e artigos em segunda mão, com cerca de duas dezenas de expositores, além da participação de diversas associações locais.
Próximos passos
O cartaz completo será divulgado a 19 de julho, na aldeia de Matagosa, freguesia do Carvalhal. Até lá, a organização mantém a campanha na PPL e apela a apoios que permitam preservar a proposta artística e os debates planeados.
Quem acompanha o festival e a vida cultural do interior terá de decidir rapidamente: a angariação termina pouco antes das últimas semanas de preparação, e o desfecho financeiro vai condicionar como — e se — a Festa do Futuro se realizará na sua forma mais ambiciosa.












