Frimor aposta em modernização para manter 300 anos de legado

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A edição deste ano da Feira Nacional da Cebola (FRIMOR), em Rio Maior, juntou tradição e renovação durante seis dias intensos de animação, negócios e promoção do concelho. A organização realçou a ampliação de áreas dedicadas ao artesanato, ao setor agroalimentar e à restauração — um sinal claro de que o certame procura adaptar-se sem perder a sua identidade agrícola.

304 anos de história e a pergunta sobre o futuro

A FRIMOR celebra mais de três séculos de realização. Para o presidente da Câmara, Filipe Santana Dias, essa longevidade cria um dever público: gerir uma tradição com respeito, mas também com visão prática para o presente.

Bancas e cebolas expostas numa feira rural histórica, com visitantes ao fundo
A FRIMOR mantém a cebola e os produtores no centro, mesmo com novas áreas e ofertas.

Em declarações na inauguração, o autarca insistiu que a responsabilidade é manter a relevância do evento para as comunidades locais e para as novas gerações, sem transformar a feira numa simples atração turística desligada das suas raízes.

Também o vereador Miguel Santos referiu a necessidade de conciliar memória e inovação: reforçar a ligação ao campo e aos agricultores, ao mesmo tempo que se melhoram condições e ofertas para visitantes e expositores.

O que mudou na edição de 2026

  • Mais espaços de artesanato, com novas bancas e oferta diversificada;
  • Incremento de expositores do setor agroalimentar, aproximando produtores e consumidores;
  • Ampliação da zona de restauração, com propostas que valorizam produtos locais;
  • Seis dias de programação com atividades que combinaram lazer e oportunidades de negócio.

Essas alterações não foram apenas estéticas: visam fortalecer a cadeia de valor local, dar visibilidade aos produtores e atrair públicos variados que impulsionam a economia do concelho.

Ao mesmo tempo, a cebola e os agricultores continuaram a ocupar o papel central nas cerimónias e exposições. Filipe Santana Dias destacou o trabalho dos ceboleiros como elemento fundador da feira e advertiu para o risco de esquecer a origem do evento se a modernização não for acompanhada de reconhecimento aos produtores.

A mensagem política é clara: preservar a feira não equivale a congelá-la no tempo. É preciso «dar condições para que viva hoje e siga para as próximas gerações», nas palavras do presidente da Câmara, adaptando oferta e infraestrutura sem apagar a sua essência.

Para Rio Maior, a FRIMOR funciona como barómetro económico e cultural. Além de atrair visitantes, cria oportunidades de mercado para pequenos produtores, estimula o turismo local e reforça circuitos de consumo de produtos regionais.

Os próximos passos, segundo a autarquia, passam por manter este equilíbrio entre tradição e inovação, escutar os agentes do setor e continuar a apostar em formatos que valorizem tanto a memória como as necessidades contemporâneas dos produtores e da comunidade.

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