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O CEO da Opensoft, Rui Cruz, afirma que a chegada da inteligência artificial não representa o fim das empresas de SaaS, mas sim um momento de transformação que pede adaptação. Em entrevista à Lusa, defendeu que os desafios atuais podem abrir portas para novas soluções — desde que empresas, universidades e profissionais ajustem processos e prioridades.
Para Cruz, a conversa já não é sobre substituição total por tecnologia, mas sobre como integrar ferramentas de IA de forma responsável no ciclo de desenvolvimento. A Opensoft, disse, está a preparar-se para essa transição e vê nas mudanças potenciais vantagens competitivas, não ameaças intransponíveis.
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O que muda para as empresas
A pressão para incorporar capacidades de IA nos produtos obriga empresas de software a rever metodologias, investir em formação interna e repensar a oferta ao cliente. Isso significa:

- Atualizar pipelines de desenvolvimento para incluir modelos e testes específicos de IA.
- Garantir governança e ética no uso de dados e algoritmos.
- Requalificar equipas técnicas e comerciais para novas funcionalidades e riscos.
Rui Cruz sublinhou também o papel crítico do talento nacional. Segundo o executivo, o historial de sucesso da Opensoft tem raízes no investimento em profissionais portugueses e na cooperação com universidades — parcerias que terão de evoluir para formar competências alinhadas com a era da IA.
Universidades e formação: um nó que precisa ser desatado
Nas palavras do CEO, as instituições académicas já enfrentam o desafio de integrar a IA nos currículos e nos métodos de ensino, e esse trabalho está em curso. Ou seja, não se trata apenas de contratar especialistas, mas de reestruturar percursos formativos para que os novos licenciados cheguem ao mercado com conhecimentos práticos relevantes.

| Desafio | O que exige | Consequência esperada |
|---|---|---|
| Integração de IA em produtos | Novos processos de desenvolvimento e testes | Produtos mais competitivos e adaptáveis |
| Escassez de talento especializado | Acordos universidade–empresa e formação contínua | Redução do gap entre academia e mercado |
| Riscos éticos e de privacidade | Políticas internas e compliance técnico | Maior confiança do cliente e conformidade regulatória |
Além das mudanças internas, há impacto direto para clientes e utilizadores. Produtos com componentes de IA podem oferecer automação e personalização superiores, mas também exigem transparência sobre decisões automatizadas e garantias de segurança.
Leituras práticas — o que as empresas devem fazer agora
- Mapear onde a IA traz valor real ao produto, evitando mudanças por moda.
- Investir em formação e atrair talento local, reforçando laços com universidades.
- Estabelecer regras claras de governança de dados e auditoria de modelos.
Em suma, a visão da liderança da Opensoft é de que a IA é aceleradora e não extintora do modelo SaaS — desde que o setor responda com estratégia, formação e responsabilidade. A entrevista foi concedida à Lusa e ressalta um ponto relevante para o ecossistema tecnológico português: o futuro dependerá tanto da tecnologia quanto da capacidade de adaptação das pessoas e das instituições.











