Meta criticada por usar baixas médicas e sinais de atividade para escolher despedimentos

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Vinte e seis trabalhadores processaram a Meta, alegando que a empresa recorreu a sistemas de inteligência artificial para identificar funcionários a despedir durante a vaga de cortes que atingiu cerca de 8.000 pessoas no início deste ano. A ação, apresentada na segunda‑feira num tribunal federal do norte da Califórnia, afirma que a tecnologia penalizou quem recorreu a licenças protegidas.

O que diz a denúncia

De acordo com a queixa de 71 páginas, à qual o The Guardian teve acesso, a Meta terá usado um “conjunto de sistemas internos de IA” para classificar e pontuar trabalhadores — integrando avaliações automáticas de desempenho com dados de monitorização da atividade.

Esses registos incluiriam desde hábitos de digitação e movimentos do rato até histórico de navegação, mensagens, emails e localização em dispositivos fornecidos pela empresa. A denúncia afirma que esses indicadores influenciaram diretamente quem apareceu na lista de despedimentos.

Quem se diz lesado e o que pedem

Os autores do processo afirmam que funcionários em licenças protegidas — como licença de maternidade, licença familiar ou ausências médicas — foram desproporcionalmente afetados porque seus indicadores de produtividade diminuíam ou desapareciam enquanto estiveram fora.

Entre os casos citados está o de uma cientista que recebeu a notificação de despedimento apenas dois dias antes de dar à luz. Outro funcionário, engenheiro, diz ter visto sua classificação cair depois de um afastamento por lesão.

Os trabalhadores solicitam ao tribunal a suspensão da finalização dos despedimentos enquanto o processo corre. Requerem ainda reintegração, pagamento de salários atrasados, compensação por perda de ações e benefícios, além de outros danos.

Resposta da Meta e comentário de liderança

A Meta rejeitou as alegações. Um porta‑voz disse ao The Guardian que “estas alegações não têm fundamento e não assentam em factos”, afirmando que as decisões organizacionais foram e continuam a ser tomadas por pessoas, não por sistemas de IA.

Fontes citadas pelo The Information indicam que, numa reunião interna, o diretor‑executivo Mark Zuckerberg explicou que a intenção do programa era treinar modelos observando os próprios empregados. “Os modelos de IA aprendem ao observar pessoas muito inteligentes a fazer as coisas”, disse Zuckerberg, acrescentando que a inteligência média dos trabalhadores da empresa é superior à média de quem se contrata para tarefas específicas.

Implementação e controvérsia sobre consentimento

A ação alega ainda que o programa de monitorização foi lançado este ano de forma discreta e sem o consentimento explícito dos trabalhadores. Segundo a queixa, a iniciativa foi anunciada apenas numa publicação interna de pouca visibilidade, partilhada por um engenheiro em vez de um dirigente sénior.

Os autores sustentam que, na prática, o sistema não terá considerado adequadamente ausências protegidas e, em vez disso, ter-se-á traduzido em penalizações automáticas por exercer direitos legais.

Próximos passos

O processo seguirá agora na instância federal californiana. Para já, os pedidos dos trabalhadores incluem a paralisação dos despedimentos e compensações financeiras; a Meta mantém a posição de que a gestão de pessoal foi conduzida por humanos, não por algoritmos.

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