Hoje, 12 de agosto, grande parte de Portugal volta a acompanhar um eclipse solar — um fenómeno que traz curiosidade, mas também exige cuidados imediatos. Muitos recordarão o último grande evento que atravessou a Europa inteira: em 1999 parte do continente viveu um eclipse total, enquanto em Portugal o fenómeno foi apenas parcial.
Há 27 anos, no dia 11 de agosto de 1999, a faixa de totalidade cruzou países como o Reino Unido, França e Alemanha, onde o disco solar chegou a ser totalmente ocultado. Em território português, por outro lado, o céu ofereceu apenas uma cobertura parcial, visível como um recorte no disco solar.
| Evento | Horário aproximado (Portugal, 1999) |
|---|---|
| Início | ≈ 09:40 |
| Máximo | ≈ 11:00 |
| Fim | ≈ 12:20 |
Como observar sem pôr a vista em risco
O principal aviso dos especialistas é direto: nunca olhe para o Sol sem proteção adequada. Segundo Filipe Ferreira da Silva, professor do Departamento de Física da NOVA FCT, a observação desprotegida pode provocar lesões permanentes na retina.
O professor recomenda o uso de óculos certificados pela norma ISO 12312-2. Outros filtros improvisados ou óculos escuros comuns não oferecem proteção suficiente. Também não é seguro olhar pelo visor de uma câmara, por binóculos ou por telescópios sem filtros específicos instalados nos dispositivos.
Se não tiver acesso a óculos homologados, há um método simples e seguro para acompanhar o evento sem olhar diretamente para o Sol: a projeção por furo (pinhole). Trata-se de uma técnica antiga, eficaz e de baixo custo.
- Construção rápida de um “projetor de caixa”:
- Use uma caixa de sapatos com tampa;
- Faça um pequeno furo numa face da caixa (pode usar agulha ou prego) — esse será o orifício por onde entra a luz;
- Na face oposta, coloque uma folha de papel branca no interior para servir de ecrã;
- Abra a tampa e aponte o furo para o Sol; olhe pela abertura lateral e observe a imagem do disco solar projetada no papel.
- Cuidados essenciais:
- Supervise crianças durante a observação;
- Não utilize filtros improvisados nem lentes não certificadas;
- Evite amplificadores ópticos sem filtros adequados — eles concentram a luz e aumentam o risco.
Para quem tiver óculos específicos, confirme a integridade antes de usar: riscos, furos ou material danificado anulam a proteção. Se sentir desconforto, dor ou ver manchas depois de observar o Sol, procure assistência médica oftalmológica.
Além da segurança, o interesse jornalístico e científico continua: eclipses ajudam a sensibilizar o público para a astronomia e a importância de observar o céu com métodos seguros. Seja por nostalgia do evento de 1999 ou pela curiosidade deste dia, a recomendação principal mantém-se inalterada: proteger os olhos e privilegiar formas de observação indireta quando não houver equipamento certificado.












