Mostrar resumo Ocultar resumo
No último fim-de-semana, a comunidade de São Jorge reuniu-se para celebrar meio século de vida do Rancho Folclórico Lírios do Nabão — uma efeméride que vai além da festa: reafirma a importância da preservação das tradições locais e do envolvimento intergeracional numa freguesia rural. A programação de três dias na sede da Associação Cultural e Recreativa Vale do Nabão trouxe música, dança e memória, e renovou o papel do grupo como pólo cultural da região.
Meio século de um projeto cultural
Lírios do Nabão fazem 50 anos: preservam memórias e identidade local
Pessoas com deficiência perdem autonomia nos supermercados portugueses
O grupo nasceu em 1976 com a missão clara de conservar as danças, cantares, trajes e costumes do Vale do Nabão. Quatro anos depois, em 1980, formou-se oficialmente a estrutura que hoje acolhe o rancho — a Associação Cultural e Recreativa Vale do Nabão — e desde então tem dinamizado a vida comunitária local.

Ao longo das décadas, a associação transformou-se num espaço onde a população — jovens e idosos — se encontra para programar festas, representar peças de teatro, organizar encontros de concertinas e promover manifestações culturais como o tradicional Enterro do Bacalhau.
O que aconteceu nas celebrações
A festa incluiu animação musical contínua, serviço de bar e oferta gastronómica típica, mas o ponto alto foi o Festival de Folclore, evento que reúnem várias coletividades e diferentes gerações em palco.

- Participação de rancho anfitrião: Rancho Folclórico Lírios do Nabão;
- Convidados: Rancho Folclórico de Esmoriz, Rancho Folclórico de Campelos (Torres Vedras), Rancho Folclórico Infantil da Carregueira, Rancho Folclórico Os Camponeses da Ribeira do Fárrio e Grupo Etnográfico de Casal dos Bernardos;
- Atividades complementares: espetáculos, convívio e provas que cruzam trilhos locais, como o Fúria Trail;
- Cariz intergeracional: apresentações que integraram crianças, jovens e seniores, reforçando a transmissão de saberes tradicionais.
A presença de vários agrupamentos regionais mostrou não só diversidade do folclore português como também a vitalidade das redes de cooperação entre coletividades. Para além de entretenimento, o encontro teve um papel patrimonial: traduz o folclore como instrumento de memória colectiva.
Implicações para a freguesia
Manter ativo um rancho durante 50 anos exige organização, voluntariado e capacidade de renovar-se sem perder a identidade. Esse esforço tem efeitos palpáveis: fortalece a coesão social, atrai visitantes nos dias de festa e alimenta um calendário cultural que beneficia comércio e serviços locais.
Nos últimos anos, a associação também diversificou a oferta para responder a públicos novos — um exemplo é o Fúria Trail, prova que atravessa caminhos e trilhos da região e tem mobilizado centenas de participantes, acrescentando uma dimensão desportiva ao catálogo cultural.
O que fica depois das comemorações
Além do registo festivo, saem reforçadas algumas prioridades para o futuro: suporte aos jovens grupos, manutenção de trajes e músicas tradicionais, e aposta em eventos que liguem cultura, turismo e desporto. A continuidade depende, como sempre, de novos voluntários e de investimento nas infraestruturas associativas.
Para leitores interessados em património imaterial, este aniversário é um sinal claro de que iniciativas locais continuam a ser essenciais para conservar práticas populares e dar-lhes nova visibilidade.
Em resumo, os 50 anos do Rancho Folclórico Lírios do Nabão não foram apenas uma celebração: foram uma confirmação de que, no Vale do Nabão, a tradição vive e adapta-se, alimentando identidade e comunidade.











