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O uso de Inteligência Artificial em conteúdos enganadores voltou a crescer nos meses de junho e julho, depois de uma breve queda na primavera, revela o relatório mensal mais recente do Observatório Europeu dos Media Digitais (EDMO). Esses novos dados apontam para consequências diretas na qualidade do debate público e na proteção de grupos vulneráveis — razão pela qual o tema permanece relevante agora.
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- Em julho, 30 instituições da rede de verificação de factos do EDMO — que cobrem a União Europeia e a Noruega — publicaram um total de 1.397 checagens.
- Destes, 253 casos (cerca de 18%) identificaram o recurso à IA como parte da manipulação informativa.
- A percentagem observada em julho aproxima-se dos picos registados em janeiro e março, quando a IA apareceu em 20% das verificações.
- Depois de uma descida em abril e maio, o uso de IA em desinformação voltou a subir em junho e julho, sinalizando uma tendência de recuperação.
Os factos verificados pelo EDMO não se limitam a conteúdo anónimo ou técnico: em julho houve casos de ataques a figuras públicas, com destaque para o Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, e também uma série de conteúdos hostis a pessoas LGBTQ+ durante as celebrações do Pride.

Onde a IA tem sido usada
Segundo as investigações compiladas, a tecnologia foi empregada em formatos variados — desde imagens e áudio manipulados até textos fabricados para amplificar narrativas políticas ou discriminar minorias. Na prática, isso cria dificuldade adicional para leitores e plataformas distinguirem entre conteúdo legítimo e material fabricado.

- Alvo político: deepfakes ou montagens que visam desautorizar ou difamar lideranças.
- Target social: campanhas que exploram eventos sazonais (como o Pride) para difundir mensagens anti-LGBTQ+.
- Amplificação automática: textos gerados por IA e distribuídos em massa para dar impressão de consenso.
Quem participou do relatório
O documento reúne contribuições de dezenas de organizações de verificação. Entre as que têm sede na União Europeia e na Noruega, destacam-se:
- 15min; AFP; APA – Austria Press Agency; CORRECTIV; Demagog (Rep. Checa, Eslováquia e Polónia); Delfi (Lituânia e Estónia)
- DPA; DW; EFE Checks; Ellinika Hoaxes; Facta/Pagella Politica; Factcheck Vlaanderen; Fact-check Cyprus; Faktograf
- Funky Citizens/Factual.ro; Greece Fact Check; Infoveritas; Källkritikbyrån; Lakmusz; Maldita.es; Newtral; Oštro
- Polígrafo; Re:Baltica; TjekDet; The Journal; Verificat
Outras organizações europeias que também alimentaram o relatório incluem entidades como a Belarusian Investigative Center, FakeNews Tracker (fakenews.rs), Doğruluk Payı, Faktoje.al e várias plataformas regionais de verificação e análise (Metamorphosis Foundation, Myth Detector, Teyit, VoxUkraine, entre outras).
O levantamento do EDMO funciona como termómetro: mostra não só a presença contínua da IA na produção de desinformação, mas também os setores e períodos em que a tecnologia é mais explorada. Para leitores e editores, isso reforça a necessidade de vigilância contínua e de ferramentas de verificação adaptadas às técnicas atuais.











