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Um grupo local está a transformar fins de semana em salas de aula ao ar livre: jovens da vila aprendem a colaborar, a resolver problemas práticos e a assumir responsabilidades através de acampamentos, actividades na natureza e projetos colectivos. A iniciativa, que ganhou forma em 2020 e se tornou uma associação autónoma em 2023, chega agora a cerca de 30 participantes e mostra-se como alternativa educativa à rotina desportiva tradicional.
Da ideia à associação
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O projecto nasceu quando Marco Mateus, então treinador de futebol na União Desporto e Recreio (UDR) de Vila Nova da Rainha, procurou uma forma de manter os jovens envolvidos após o fim das competições. Aquilo que começou como uma proposta integrada no clube acabou por evoluir e, há pouco mais de um ano, transformou-se numa organização independente.
Essa formalização permitiu ampliar o leque de actividades e dar maior continuidade aos encontros — muitos dos quais ocorrem aos sábados, com saídas que se estendem até domingo e noites em acampamento.
Aprendizagem fora da sala
O foco é prático: os participantes são confrontados com tarefas que exigem planeamento, execução e revisão. Montar tendas, cozinhar em fogareiros, construir abrigo, fazer nós ou prestar primeiros socorros são rotinas comuns nos encontros.

Há também exercícios de orientação e longas caminhadas que obrigam a gerir ritmo e logística — experiências que, segundo os responsáveis, treinam tanto a capacidade física como a tomada de decisões em grupo.
Competências concretas
- Montagem de tendas e gestão de acampamento (planeamento de rotas, segurança e higiene);
- Culinária ao ar livre e gestão de recursos alimentares;
- Técnicas de nós e amarrações aplicáveis em construção de abrigos;
- Noções básicas de primeiros socorros e comportamento em situações de risco;
- Orientação em campo e leitura de percursos; trabalho em equipa e separação de tarefas;
- Projetos de construção simples (catapultas, arcos) que estimulam planeamento, teste e iteração.
Projetos que ensinam a falhar e voltar a tentar
Algumas actividades recentes ilustram bem o método: em grupo, os jovens conceberam catapultas inspiradas no jogo “Angry Birds”. O exercício exigiu desenho, aplicação de nós, testes sucessivos e ajustes — nem todas as estruturas funcionaram à primeira, mas todas contribuíram para a aprendizagem.

João Dinis, de 16 anos, recorda uma caminhada de 24 km entre Azambuja e Vila Nova da Rainha e os primeiros acampamentos, onde chegou a construir um arco e flechas. Para ele, a persistência — corrigir erros e tentar de novo — foi tão formativa quanto as competências manuais.
Impacto local e implicações
Além do desenvolvimento pessoal dos participantes, o projecto cria oportunidades de convívio entre gerações e oferece aos pais uma alternativa educativa com componente comunitária. Ao valorizar o contacto com a natureza e o serviço voluntário, o grupo contribui para a formação de cidadãos mais autónomos e colaborativos.
Num contexto em que actividades estruturadas digitais e competitivas dominam a oferta para jovens, esta proposta recupera rotinas práticas e relações presenciais, com consequências visíveis no comportamento e nas capacidades dos envolvidos.
Como acompanhar ou participar
O grupo mantém actividades regulares ao fim de semana e aceita novos membros conforme a capacidade dos líderes e das infra‑estruturas. Quem estiver interessado pode acompanhar encontros públicos e iniciativas locais para perceber o funcionamento antes de inscrever jovens ou voluntariar-se.
Para os responsáveis pela educação e pais na região, o modelo sugere um caminho complementar ao ensino formal: experiências vivenciais que potencializam autonomia e sentido de responsabilidade.











