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O calor de verão volta a marcar a agenda: incêndios intensos em Portugal e na vizinhança, enquanto em Lisboa e no Parlamento se acumulam problemas com a correção dos exames e novas frentes políticas. As decisões tomadas nas próximas horas — desde a gestão das chamas até às convocações em comissões — têm impacto direto sobre segurança pública, escolas e investigações em curso.
Exames nacionais: o Ministério da Educação divulgou uma tabela de compensações para os professores classificadores, com valores diferenciados consoante o tipo de prova e o regime de reapreciação. Apesar disso, a segunda fase de correções começou marcada por falhas logísticas: faltam docentes convocados, houve dificuldades de acesso à nova plataforma de convocatórias e relatos de professores que receberam itens sem terem sido formalmente chamados.
Incêndio em Penafiel controlado: Duas Igrejas já sem chamas
O valor das mulheres vai além da aparência
O processo envolve pelo menos 105 mil provas a corrigir, número que pode aumentar conforme as reclamações. Sindicatos e grupos como o Metaprof e a Missão Escola Pública alertam para o risco de insuficiência de avaliadores e para a necessidade de respostas mais ágeis na substituição de ausências.
Importante: a convocatória para a segunda fase é obrigatória — docentes formalmente chamados têm de classificar as provas, mesmo que isso implique alterar férias já marcadas — mas os pedidos de reapreciação podem ser recusados.
Pressão política e inquéritos
O partido Chega anunciou a intenção de convocar o primeiro-ministro para a Comissão Parlamentar de Inquérito sobre os mandatos de Luís Neves na Polícia Judiciária. André Ventura também aponta outros nomes que podem ser chamados e justifica a iniciativa com dúvidas sobre a coordenação entre autoridades no caso conhecido como Operação Influencer.
A polémica ganha nova dimensão depois de declarações de Luísa Proença, ex-diretora nacional adjunta da PJ, que afirma não ter sido informada sobre a remoção de um atrelado apreendido — equipamento que acabou por surgir na empresa de um empreiteiro próximo do ministro da Administração Interna. Proença, que chefiava a gestão dos bens apreendidos, diz ter tomado conhecimento do caso pela comunicação social.
Tráfico de menores: criança resgatada no Aeroporto de Lisboa
Uma menor de 12 anos, com nacionalidade da República Democrática do Congo, foi detetada no Aeroporto de Lisboa numa situação de tráfico de pessoas. A criança, que seguia rumo a França acompanhada por uma mulher que se apresentou como mãe, informou as autoridades ter sido vendida pela família para um casamento destinado a saldar dívidas.
A PSP identificou irregularidades nos documentos; a mulher — de 45 anos e de nacionalidade francesa — foi detida em prisão preventiva. A menor foi acolhida por um centro especializado que a descreve como estável e em processo de integração com outras crianças vítimas do mesmo crime. Seguem-se medidas de proteção e avaliações sobre a possibilidade de repatriamento, integração no sistema português de apoio ou reagrupamento familiar na Europa.
Incêndios: evolução e números no terreno
Em Portugal, o fogo em Duas Igrejas (Penafiel) entrou em fase de resolução no início da manhã, com cerca de 200 operacionais e 70 viaturas ainda no local. Já o incêndio em Rochoso (Guarda) permanece ativo e mobiliza 300 operacionais e 90 viaturas; cinco bombeiros sofreram ferimentos ligeiros. Outro foco em Vila Verde foi dado como dominado.

O Instituto Português do Mar e da Atmosfera mantém avisos de risco — quase todos os distritos do continente estarão sob aviso amarelo devido às temperaturas, com exceção de Faro.
Na Península Ibérica, a descida das temperaturas durante a noite ajudou a retardar o avanço de fogos em Espanha, incluindo o grande incêndio de Ávila. O governo espanhol prepara a declaração de zonas de catástrofe para acelerar a reconstrução. Em França, as chamas perto de Bordéus estabilizaram depois de uma noite mais calma, mas já obrigaram à retirada de mais de 200 mil pessoas; cerca de 3 mil portugueses e lusodescendentes foram transferidos para centros de acolhimento, sem registo de vítimas nacionais.
- Operacionais no terreno (Portugal): Penafiel — 200; Guarda — 300
- Viaturas de apoio: Penafiel — 70; Guarda — 90
- Provas a corrigir: pelo menos 105.000
- Vítimas dos sismos na Venezuela: mais de 5.500 mortos e quase 17.000 feridos (balanço recente)
- Registo de nascimentos (1.º semestre, Portugal): ~43.000 bebés — +900 face ao ano anterior
Ajuda humanitária e sismos na Venezuela
Um mês após os abalos de 24 de junho, a prioridade continua a ser o abastecimento de água e o apoio psicológico às populações afetadas, sobretudo no estado de La Guáira, perto de Caracas. A ONG Ajuda em Ação relata ações de distribuição de alimentos, abrigo e kits de conforto e prepara uma fase seguinte centrada em água potável e intervenção psicossocial. Entre as vítimas confirmadas há 134 portugueses ou lusodescendentes e 12 desaparecidos.
A organização anuncia também iniciativas para empregar moradores locais nos projetos de recuperação, tentando combinar assistência imediata com soluções que promovam a reconstrução.
Outros destaques
Na madrugada, um incêndio num estacionamento subterrâneo em Setúbal obrigou à retirada de cerca de 300 pessoas e consumiu sete viaturas; não se registaram feridos. Os dados do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge mostram um aumento de nascimentos no primeiro semestre, com Lisboa, Porto, Setúbal e Braga à cabeça.
Na política internacional, a Casa Branca recebe hoje Volodymyr Zelensky e Benjamin Netanyahu para reuniões centradas nos conflitos na Ucrânia e no Médio Oriente. Foi também confirmada uma nova ronda de negociações entre Israel e o Líbano, prevista para 4 de agosto, em Roma.
Na área da investigação jornalística, estreou um novo podcast que recupera o caso de um espião português detido em 2016 por alegado envio de secretos da NATO a um agente russo. A série combina investigação e narração para explicar como foi descoberta a alegada trama e que serviços secretos participaram na operação.
Voltaremos a acompanhar a evolução dos incêndios, as respostas do Ministério da Educação às queixas sobre a correção das provas e os desdobramentos políticos em torno da Comissão Parlamentar de Inquérito.











