Resultados da BP sobem para patamar mais elevado desde o primeiro ano da guerra na Ucrânia

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A BP registou lucros trimestrais recordes desde o início da guerra na Ucrânia, num contexto de subida dos preços do petróleo e do gás ligada às perturbações no Médio Oriente. Os resultados reacenderam críticas sobre os ganhos das grandes petrolíferas, enquanto famílias e empresas encaram faturas de energia mais altas e a Europa atravessa várias ondas de calor.

O que disseram os números

BP anunciou um lucro de 5,73 mil milhões de dólares entre abril e junho — mais do que o dobro do trimestre anterior. A empresa atribuiu esse crescimento, em grande parte, à escalada dos preços de petróleo e gás originada pelas perturbações nas exportações do Golfo.

Instalação industrial de refinaria de petróleo com estruturas e condutas metálicas
Os lucros recordes da BP foram impulsionados pela escalada dos preços de petróleo e gás

Outras grandes do setor também destacaram resultados robustos. A Shell divulgou o segundo maior lucro trimestral da sua história, perto dos 10 mil milhões de dólares (cerca de 8,6 mil milhões de euros). A petrolífera estatal saudita Aramco reportou um aumento de 44% no lucro líquido, para 32,69 mil milhões de dólares (aproximadamente 28,1 mil milhões de euros), impulsionado por receitas de crude, produtos refinados e químicos.

Reestruturação e voz da administração

A nova diretora-executiva da BP, Meg O’Neill, reconheceu que a empresa ainda tem espaço para melhorar. Em comentário público, afirmou que “há mais a fazer” e que a companhia “não está a tirar o máximo partido” do seu potencial.

O’Neill prepara uma reestruturação da petrolífera, fundada há 117 anos. Entre as opções em análise estará a possível saída do Mar do Norte, onde a BP opera há cerca de seis décadas.

Reações públicas e críticas

Os lucros elevados voltaram a provocar duras reações políticas e ambientais. O ex-presidente norte-americano Donald Trump afirmou que companhias como a Chevron e a ExxonMobil “estão a ganhar demasiado dinheiro” e defendeu que parte desses resultados deveria ser devolvida à população.

Organizações ambientais também aumentaram a pressão. Rosie Downes, da Friends of the Earth, afirmou ao The Guardian que a BP continua a “registar mais uma ronda de lucros colossais” enquanto milhões de famílias pagam contas de energia elevadas. “É evidente que nem todos estão a sentir o impacto da crise energética”, disse, referindo ainda o agravamento da crise climática com ondas de calor, incêndios florestais e secas mais severas.

Os debates sobre distribuição de lucros e medidas para aliviar o peso das faturas energéticas prometem manter-se no centro das atenções públicas e políticas enquanto os preços e as condições climáticas continuam a exercer pressão sobre consumidores e governos.

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