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Seis meses depois da passagem das tempestades que assolaram o país no final de janeiro, o Médio Tejo já saiu da fase de emergência, mas continua a enfrentar lacunas significativas na reparação de infraestruturas e na recuperação económica. A urgência agora é transformar as intervenções imediatas em obras duradouras que tornem a região mais resistente a futuros episódios extremos.
Em declarações à agência Lusa, o presidente da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo, Manuel Jorge Valamatos, afirmou que a sub-região — que engloba 11 concelhos do distrito de Santarém — entrou numa etapa de “recuperação e consolidação”. Segundo ele, as necessidades básicas das populações estão, de modo geral, asseguradas, embora persistam intervenções prioritárias por concluir.
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As tempestades, em especial a depressão conhecida como Kristin, e as cheias associadas ao caudal do Tejo causaram danos extensos: habitações afetadas, cortes de energia e falhas nas comunicações que se sobrepuseram a um período de chuva intensa. Os efeitos foram mais sentidos em concelhos como Ourém, Ferreira do Zêzere e Tomar, enquanto as inundações tiveram impacto forte nas localidades ribeirinhas — entre elas Abrantes, Constância, Mação e Vila Nova da Barquinha.
O que ainda falta ser feito
Mesmo com a estabilização das condições de vida, o maior entrave apontado pela CIM é a recuperação da malha viária. Muitas estradas municipais continuam danificadas; há pontões e taludes por reparar e algumas vias nacionais ainda não receberam intervenção.

Paralelamente, subsistem fragilidades nas comunicações: operadoras não repuseram por completo as infraestruturas afetadas, existem linhas e postes por restaurar, e a rede elétrica também precisa de reforço para aumentar a resiliência.
- Principais problemas técnicos: estradas municipais danificadas, pontões e taludes comprometidos, falhas em redes elétricas e de telecomunicações.
- Concelhos mais afetados: Ourém, Ferreira do Zêzere, Tomar, Abrantes, Constância, Mação, Vila Nova da Barquinha.
- Necessidades financeiras: linhas de apoio mais céleres e específicas, incluindo programas europeus com desembolso rápido.
Financiamento e programas em curso
Valamatos admitiu progressos na resposta às habitações permanentes, mas pediu aceleração e reforço dos mecanismos de financiamento para permitir uma recuperação integral — não apenas paliativa. O presidente da CIM apelou à abertura rápida de instrumentos, nomeadamente europeus, que possam cobrir grandes intervenções ainda pendentes.

No fim de abril foi anunciado o programa PTRR — Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência — com um envelope de 22,6 mil milhões de euros para executar diversas medidas até 2035. A expectativa das autoridades locais é que parte desses fundos possa cofinanciar reparações estruturais imprescindíveis nas áreas afetadas.
Os números nacionais das últimas semanas confirmam a dimensão da crise: mais de 35 mil fogos danificados, cortes prolongados de eletricidade que afetaram mais de um milhão de pessoas, cerca de meio milhão de clientes sem telecomunicações e mais de 200 mil participações de sinistros. Estimativas preliminares apontam para prejuízos superiores a 5,3 mil milhões de euros.
Aprendizados e prioridades para o futuro
Para a CIM do Médio Tejo, o episódio deixou lições claras: há que adaptar o território a fenómenos meteorológicos extremos com soluções técnicas mais robustas e integradas. Obras em estradas, pontões e redes de comunicações devem passar a incorporar critérios de maior durabilidade e capacidade de resposta.
O Subcomando Regional de Emergência e Proteção Civil foi elogiado pela coordenação na resposta imediata, mas os responsáveis locais sublinham que a recuperação deve agora ser acompanhada por investimentos estruturantes. A solidariedade entre municípios e populações foi apontada como um dos pontos fortes na gestão da crise.
Se nada for alterado na estratégia de recuperação, avisam as autoridades, as mesmas localidades correrão risco elevado em novos episódios severos. A aposta, defendem, passa por transformar o investimento de emergência em medidas de longo prazo que reduzam vulnerabilidades e acelerem a retoma económica.











