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O partido Chega anunciou que pretende ouvir figuras políticas de topo — entre elas António Costa e Luís Montenegro — na Comissão Parlamentar de Inquérito aos mandatos de Luís Neves na Polícia Judiciária, uma iniciativa que promete reacender a tensão política no Parlamento. Ao mesmo tempo, vários incêndios ativos e um atraso na correção dos exames nacionais colocam pressão sobre serviços públicos e sobre a agenda do Governo.
André Ventura confirmou que a lista de convocados ainda não está fechada, mas deixou claro que o objetivo é reunir esclarecimentos sobre as decisões e operações conduzidas enquanto Luís Neves esteve à frente da PJ, nomeadamente a chamada operação “Influencer”. A comissão é potestativa: depende da autorização do presidente da Assembleia da República para avançar e pode incluir testemunhos de dirigentes e responsáveis políticos.
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O que está em jogo no Parlamento
A iniciativa do Chega abre confrontos institucionais previsíveis, com impacto direto na perceção pública sobre a gestão da Polícia Judiciária. Para além da eventual audição de ex- e atuais responsáveis políticos, a comissão pode exigir documentos e depoimentos de diretores de serviços da PJ, potencialmente trazendo à luz falhas de controlo e responsabilidade política.

- Comissão Parlamentar de Inquérito: proposta potestativa, depende de autorização do presidente da Assembleia;
- Foco principal: mandatos de Luís Neves e a operação “Influencer”;
- Possíveis convocados: dirigentes da PJ e figuras políticas de topo, nomeadamente António Costa e Luís Montenegro.
Declarações na sequência do caso do atrelado
Luísa Proença, ex-diretora nacional adjunta da PJ responsável pelos bens apreendidos, disse às redações que só ficou a par do desaparecimento de um atrelado — que mais tarde apareceu na empresa de um conhecido de Luís Neves — através da imprensa. Segundo a sua versão, não houve comunicação interna sobre uma remoção urgente desse veículo do parque de apreendidos do Seixal.
As afirmações acrescentam mais um elemento ao inquérito político e podem influenciar o calendário de convocações na comissão, caso se confirme a falta de registos formais sobre a gestão dos bens apreendidos.
Exames nacionais: atraso na correção e incentivo financeiro
O processo de classificação das provas da segunda fase começou esta segunda-feira, mas a Missão Escola Pública alerta para dificuldades numa nova plataforma que impede escolas de reunir avaliadores suficientes. Estão em causa cerca de 90 mil provas e mais 15 mil pedidos de reapreciação — um total superior a 100 mil trabalhos a avaliar.
Para mitigar o problema, o Ministério da Educação anunciou um pagamento adicional aos professores classificadores:
- €1 por cada resposta classificada;
- €12 por cada prova reapreciada;
- Casos em papel (geometria descritiva e desenho A): €10 por classificação e €18 por prova alvo de recurso.
O Executivo diz que a medida pretende reconhecer o esforço dos docentes no processo de avaliação externa, mas o problema de logística nas escolas pode ainda atrasar resultados e reapreciações.
Incêndios ativos e impacto imediato
Portugal enfrenta diversas frentes de fogo. Às primeiras horas de hoje havia pelo menos 13 incêndios ativos em várias regiões.

O foco mais grave está no distrito da Guarda: o incêndio mobiliza mais de 280 operacionais e cerca de 80 viaturas, com cinco feridos ligeiros reportados durante as operações de combate. Em Penafiel, na localidade de Duas Igrejas, trabalham mais de 200 operacionais apoiados por quase 70 viaturas. Em Sinfães, distrito de Viseu, um novo fogo registado durante a madrugada envolve 35 operacionais e várias equipas terrestres.
- Guarda — >280 operacionais e ~80 viaturas; fogo com duas frentes em momento de maior intensidade;
- Penafiel (Duas Igrejas) — >200 operacionais e ~70 viaturas;
- Sinfães (Viseu) — início durante a madrugada, dezenas de meios envolvidos.
As autoridades portuguesas confirmaram ainda não haver registo de vítimas nacionais nos grandes incêndios que afetam França e Espanha. Em França, o departamento da Gironde contabiliza cerca de 42 mil hectares consumidos e milhares de desalojados; em Espanha, o incêndio de Ávila já ultrapassou 50 mil hectares, levando o Governo a decretar zonas de catástrofe para iniciar a avaliação dos danos e medidas de apoio.
Ajuda humanitária na Venezuela e outras notícias
Passado um mês dos sismos na Venezuela, a ONG Ajuda em Ação descreve ter realizado uma primeira fase de distribuição de emergência — kits alimentares, abrigo e itens de conforto — e aponta para a próxima fase centrada no acesso à água e apoio psicológico. A organização vai também promover a contratação local para apoiar as operações na região de La Guaira.
Em Lisboa, estreou um novo podcast de investigação que reconstitui o caso de um agente português suspeito de ter entregue documentos classificados da NATO a um oficial russo em 2016. A série, narrada por Ivo Canelas, recupera o papel de serviços secretos estrangeiros na investigação e promete novos detalhes sobre a operação que levou à identificação do alegado espião.
O país segue sob pressão: entre investigações parlamentares, incêndios e desafios na educação, as decisões das próximas semanas podem alterar equilíbrio político e operacional em várias frentes. A informação será atualizada à medida que houver novos desenvolvimentos.











