Um programador polaco lançou uma aplicação para iPhone que promete avisar quando há óculos inteligentes da Meta nas imediações — uma resposta direta às crescentes preocupações sobre gravações não autorizadas em espaços públicos. A ferramenta chega num momento em que cinemas e outros locais avaliam regras mais rígidas para evitar pirataria e proteger a privacidade do público.
Pawel Szydlowski, de 30 anos, é o responsável pelo projeto batizado de Zuckoff. Segundo reportagem do Business Insider, a app somou cerca de 5 mil utilizadores no primeiro mês após o lançamento gratuito na App Store.
Szydlowski comprou vários modelos dos óculos da parceria entre Meta e Ray‑Ban e mapeou a assinatura que esses aparelhos emitem via Bluetooth. A aplicação compara os identificadores detectados pelo telemóvel com essa base para sinalizar a presença do dispositivo.
Bandeira azul 2027: praia fluvial Bairradinha fica mais perto do selo
Beber urina para parecer mais atraente: onda entre jovens preocupa especialistas
- Nome: Zuckoff
- Plataforma: iPhone (disponível gratuitamente)
- Método: identificação de assinaturas Bluetooth e correspondência de identificadores
- Utilizadores iniciais: ~5.000 no primeiro mês (relato de imprensa)
- Funcionalidade premium: opção paga para notificações em segundo plano
O autor da aplicação afirma que, ao cruzar o identificador único do aparelho com o identificador do fabricante, é possível obter uma correspondência confiável — informação que considera essencial para que as pessoas saibam quando estão a ser gravadas. A app oferece alertas em tempo real e, mediante pagamento, pode monitorizar a presença desses sinais mesmo quando não está aberta.
Pressão para proibir os óculos em cinemas do Reino Unido
Além do receio em torno da privacidade pessoal, os óculos inteligentes voltaram a entrar no debate público porque operadores de cinemas no Reino Unido estudam proibir o seu uso nas salas. A preocupação principal é a possibilidade de gravação de filmes e a consequente pirataria, segundo a Sky News.
Representantes da indústria cinematográfica lembram que, embora esses dispositivos possam ajudar na acessibilidade — por exemplo, com legendas personalizadas ou tradução em tempo real —, também levantam riscos que muitos exibidores não querem assumir. A associação UKCA afirmou que várias salas estão a criar políticas para limitar ou proibir óculos com câmara nos seus espaços.
Em resposta à imprensa, a Meta afirmou que os óculos têm luzes que indicam quando estão a gravar e pediu aplicação consistente das regras em locais onde gravações não são permitidas. A empresa também defende os benefícios da tecnologia para tarefas cotidianas e para pessoas com deficiência visual, argumentando que uma proibição ampla seria prejudicial.
O debate expõe um conflito prático: o avanço de gadgets pessoais que combinam utilidade e intrusão. Donos de dispositivos, gestores de espaços públicos e legisladores terão de conciliar o direito à inovação com mecanismos claros para proteger a privacidade e evitar delitos como a pirateação de conteúdos.
Para utilizadores e espectadores, duas medidas simples já têm efeito imediato: verificar as políticas de cada estabelecimento antes de entrar e rever as permissões de Bluetooth e notificações nas definições do telemóvel. À medida que a tecnologia se populariza, é provável que surjam normas mais específicas para regular onde e como esses óculos podem ser usados.











