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O número de mensagens de ódio nas redes sociais espanholas aumentou de forma abrupta em agosto, na sequência da crise em Ceuta, aponta o observatório estatal. O salto — e a concentração desses ataques em direção a migrantes e menores não acompanhados — eleva riscos sociais e pressiona plataformas e autoridades a responderem mais rapidamente.
Dados divulgados hoje pelo Observatório Espanhol do Racismo e Xenofobia (OBERAXE) mostram que, ao longo de agosto, foram identificados 101.025 conteúdos com discurso de ódio e narrativas discriminatórias no Facebook, Instagram, X, TikTok e YouTube. A monitorização usou a ferramenta governamental FARO, que registou uma subida acentuada face a julho.
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O que os números revelam
O relatório liga grande parte deste aumento às chegadas massivas a Ceuta no fim de julho. Em termos práticos, quase quatro em cada dez mensagens analisadas (39%) referiam-se diretamente ao episódio da travessia fronteiriça nos dias 30 e 31 de julho.

- Total de conteúdos detectados em agosto: 101.025.
- Aumento face a julho: +76%.
- Proporção associada ao episódio de Ceuta: 39%.
- Grupos mais visados: pessoas do Norte de África (72%) e imigrantes em geral (22%).
- Tipos de conteúdos haineosos: desumanização/degradação (37%), incitamento à expulsão (15%), incitação à violência (3%).
O relatório sublinha que as mensagens dirigidas a pessoas do Norte de África e a imigrantes aumentaram em agosto relativamente a julho — de 68% para 72% no primeiro caso, e de 20% para 22% no segundo. O observatório alerta ainda para a «maior presença» de conteúdos focalizados em menores não acompanhados, um grupo especialmente vulnerável que esteve no centro do debate após as chegadas a Ceuta.
Impactos e desafios
Além dos números, o relatório identifica tendências preocupantes: posts que celebraram atos violentos contra migrantes e publicações que incentivaram ações hostis, o que aumenta a probabilidade de conflitos locais e pressiona os mecanismos de moderação das plataformas.
Para cidadãos e profissionais, as consequências são concretas. A circulação massiva de mensagens hostis pode agravar a estigmatização, provocar atos de violência e dificultar a integração de pessoas deslocadas. Para as empresas de redes sociais, o aumento repentino força decisões sobre remoção de conteúdo, aplicação de políticas e coordenação com autoridades.
OBERAXE recomenda manutenção do acompanhamento sistemático e intensificação das respostas — administrativas e tecnológicas — frente a surtos de desinformação e de ódio que surgem em contexto de crises migratórias. A monitorização de agosto realça como eventos pontuais de fronteira podem ter efeitos imediatos e duradouros no ecossistema informacional.
Os dados deixam claro que as tensões em Ceuta continuam a refletir-se online, com implicações práticas para a segurança pública, a proteção de menores e a responsabilidade das plataformas digitais.











