Trump envolve Pentágono no petróleo venezuelano; sócio investigado por lavagem e fraude fiscal

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Um gabinete do Pentágono criado para reforçar a indústria de defesa passa a liderar uma operação inesperada: uma parceria para explorar petróleo venezuelano que pode dar ao governo dos Estados Unidos até **35%** da empresa por meio de **warrants** — e acesso direto à produção. O acordo, anunciado por Donald Trump, envolve o empresário Alejandro Betancourt López e suscitou dúvidas sobre o papel do Estado e a escolha do parceiro.

Origem e expansão do gabinete

O Gabinete de Capital Estratégico nasceu em 2022 com a missão de financiar setores considerados vitais para a segurança nacional. A ideia era suprir lacunas na cadeia de abastecimento e reduzir dependências, por exemplo, de componentes fabricados na China.

Sede institucional moderna com bandeiras genéricas em frente
O gabinete de Capital Estratégico foi criado para financiar setores críticos.

Inicialmente autorizado a emprestar cerca de 1.000 milhões de dólares, o mecanismo teve sua capacidade aumentada de forma significativa — para 100 mil milhões de dólares — enquanto mudava práticas de atuação, passando a exigir também warrants em alguns casos. Hoje o gabinete opera sob a tutela do vice‑secretário da Defesa, Stephen Feinberg; o diretor atual, David Lorch, tem histórico na mesma sociedade de investimento que Feinberg.

Em novembro de 2025 o organismo anunciou um empréstimo de 620 milhões de dólares à Vulcan Elements, fabricante norte‑americana de ímanes de terras raras, com o objetivo de reforçar a produção doméstica.

Como funciona o acordo com a empresa venezuelana

De acordo com reportagens, o gabinete está a construir, pela via norte‑americana, uma parceria com a North American Blue Energy Partners, criada por Alejandro Betancourt López. Trump vinculou as negociações ao secretário da Defesa, Pete Hegseth, e a Marco Rubio, referidos pela Casa Branca como secretário de Estado e conselheiro de Segurança Nacional.

O presidente disse que o objetivo é assegurar “milhares de milhões de barris” das reservas venezuelanas por meio de parcerias privadas. A proposta prevê que Washington obtenha instrumentos que podem converter‑se em até 35% da empresa‑mãe. Fontes citadas pelo New York Times indicam que esses warrants seriam exercíveis por um valor simbólico — cerca de um cêntimo de dólar por ação.

Direitos sobre a produção e condições anunciadas

Além da participação acionária potencial, o acordo reserva ao governo norte‑americano 20% do petróleo produzido pela empresa, ao custo de produção. O restante, 80%, ficaria sujeito a um direito de preferência do Departamento de Estado.

Segundo a Casa Branca, a operação será feita “sem qualquer custo para os Estados Unidos”. Na prática, isso significa que o Estado não precisaria desembolsar capital para receber os warrants. Mas a presença oficial pode facilitar a captação de investimento privado e conferir proteção política em cenários de instabilidade ou litígios na Venezuela.

Desvios das práticas habituais e questões de supervisão

O envolvimento direto de um órgão do Pentágono em aquisição de participações num negócio energético dista da rotina diplomática e comercial habitual. Normalmente o petróleo é negociado por empresas do setor; compras para repor reservas estratégicas exigem autorizações específicas, inclusive do Congresso, e costumam passar pelo Departamento de Energia.

Há ainda contradições internas públicas. No sábado seguinte ao anúncio, o porta‑voz principal do Pentágono, Sean Parnell, afirmou que o gabinete “não adquire participações em empresas privadas”. Dois dias depois, a Casa Branca confirmou que os warrants poderão converter‑se em até 35% da sociedade.

Controvérsia sobre o parceiro privado

A escolha de Alejandro Betancourt López como sócio suscita preocupações. Betancourt já recebeu contratos petrolíferos na Venezuela em processos sem concorrência pública e foi alvo de investigações em Espanha e na Suíça por suspeitas de branqueamento de capitais e fraude fiscal, segundo relatos.

Silhueta anónima de executivo perto de um carro de luxo
A escolha do parceiro privado e as investigações que o envolvem levantam dúvidas.

O New York Times informou ainda que o Departamento de Estado pressionou autoridades suíças e britânicas para aliviar restrições que limitavam as deslocações de Betancourt, numa fase em que Marco Rubio buscava o seu retorno à Venezuela para tratar de negócios e produção de petróleo.

A North American Blue Energy Partners nega que exista qualquer culpa criminal. Em comunicado, a assessoria jurídica da empresa afirmou: “Alejandro Betancourt nunca foi acusado de um crime em qualquer jurisdição”.

O que está em jogo

O acordo desloca um instrumento originalmente orientado à defesa para um projeto com implicações energéticas e geopolíticas claras. A combinação de participação acionária potencial, acesso preferencial à produção e o uso de um gabinete do Pentágono abriu um debate sobre responsabilidade, limites institucionais e transparência.

A Casa Branca destaca a promessa de não haver custo direto para o Tesouro, mas a operação levanta questões que vão além do balanço financeiro. A atuação seguirá no escrutínio político e no acompanhamento dos órgãos competentes.

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