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Um novo relatório do Programa das Nações Unidas para o Ambiente indica que o aumento da temperatura global deve ultrapassar a barreira dos 1,5 °C em relação à era pré‑industrial nos próximos anos — mas afirma que ainda há caminhos para limitar os danos. A conclusão reforça a urgência de medidas que cortem emissões com rapidez e protejam comunidades já na linha de frente das alterações climáticas.
O estudo, divulgado nesta quarta‑feira pelo PNUMA, sustenta que ultrapassar temporariamente o limiar de 1,5 °C não torna inevitável um colapso absoluto do clima, desde que governos, empresas e investidores acelerem ações concretas.
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Em comunicado, o secretário‑geral da ONU, António Guterres, apelou a uma resposta mais enérgica: pediu redução acelerada do uso de combustíveis fósseis, maior investimento em energias renováveis e cortes drásticos nas emissões de metano, além de proteção expandida de terras, florestas e oceanos.
Por que isso importa agora
Ultrapassar o patamar de 1,5 °C amplifica impactos a cada fração de grau adicional: mais ondas de calor, precipitações extremas e secas prolongadas; maior degradação de ecossistemas; e riscos diretos para cidades costeiras e Pequenos Estados Insulares. Isso traduz‑se em consequências imediatas para saúde pública, produção de alimentos, disponibilidade de água e infraestrutura.

O relatório alerta também para a possibilidade de atingir pontos de ruptura irreversíveis — por exemplo, a perda parcial das camadas de gelo da Antártida Ocidental e da Gronelândia, e a degradação acelerada da floresta amazónica — que teriam efeitos de longo prazo sobre o sistema climático.
Como agir: três frentes simultâneas
- Resposta imediata: cortes profundos e rápidos nas emissões para travar o aquecimento atual, com foco nos setores mais poluentes;
- Adaptação e contenção: implementar políticas urgentes para proteger comunidades e ecossistemas vulneráveis e reduzir riscos extremos;
- Resiliência a longo prazo: transformar sistemas energéticos, agrícolas e urbanos para lidar com um clima já alterado.
Para alcançar emissões líquidas nulas e, posteriormente, níveis negativos, o documento recomenda combinar medidas naturais e tecnológicas de captura de carbono. Entre as abordagens destacadas estão a restauração de florestas e ecossistemas e técnicas de captura direta do ar com armazenamento seguro.
A agência sublinha que a transição exige mais do que tecnologias: é preciso vontade política, cooperação internacional eficaz, financiamento consistente e governação inclusiva. A justiça climática deve orientar as ações, com atenção especial aos países que sofreram menos historicamente, mas que hoje enfrentam os maiores impactos.
Em síntese, o PNUMA conclui que países com maiores responsabilidades históricas e maior capacidade económica devem acelerar medidas e apoiar financeiramente as nações vulneráveis, para que decisões e respostas sejam partilhadas e equitativas.
As implicações práticas para leitores e decisores incluem a necessidade de políticas públicas mais ambiciosas, incentivos para renováveis, regulações sobre metano e investimentos em infraestruturas resilientes — tudo itens que influenciam custos de energia, seguros, planeamento urbano e segurança alimentar nas próximas décadas.











