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O Grupo Volkswagen anunciou mais um corte de empregos e uma ampla reestruturação da oferta para enfrentar concorrência e margens pressoras. O conselho de supervisão aprovou por unanimidade um plano que prevê a eliminação de outros 50 mil postos até 2030 e a redução pela metade da gama de modelos.
Cortes, aprovação e metas financeiras
O plano apresentado pelo CEO Oliver Blume recebeu sinal verde surpreendente do conselho de supervisão, depois de meses de negociações com representantes dos trabalhadores e com o Estado da Baixa Saxónia, acionista com 20% do capital. A decisão foi antecipada para quinta-feira, em relação ao calendário inicialmente previsto.
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Na abertura em Frankfurt as ações do grupo subiram cerca de 6,5%, para €81,32, num reflexo imediato da reação do mercado. Blume saudou a aprovação como “um sinal muito positivo para o futuro do grupo Volkswagen”, segundo comunicado da empresa.
A Volkswagen definiu metas financeiras ambiciosas: vender cerca de 9 milhões de veículos por ano e alcançar uma margem operacional de 9% até 2030. Para atingir isso, o grupo estima precisar de um resultado operacional na ordem dos €31 mil milhões, face a cerca de €37 mil milhões em despesas gerais.
Além disso, o grupo fixou um envelope de investimento de €135 mil milhões para capital e investigação e desenvolvimento entre 2027 e 2031.
Empregos e situação atual do quadro laboral
Com a decisão anunciada agora, o corte total previsto sobe para 100 mil postos até 2030. Em dezembro de 2024 o grupo já tinha anunciado uma primeira redução de 50 mil vagas, direcionada sobretudo à marca Volkswagen na Alemanha.

Em 2023 o grupo empregava cerca de 680 mil pessoas, incluindo as participações em joint ventures chinesas. A empresa diz pretender encontrar soluções que tornem o sucesso sustentável a longo prazo, numa indústria que atravessa uma transformação profunda.
Excesso de capacidade e impacto nas fábricas
Atualmente, a capacidade de produção europeia do grupo excede a procura em aproximadamente 500 mil unidades. Essa discrepância impede a atribuição competitiva de volumes para algumas fábricas-chave.
As unidades de Emden, Zwickau e Hannover, bem como a unidade da Audi em Neckarsulm, poderão sofrer ajustes de produção faseados entre 2031 e 2034, uma vez que o grupo ainda não garante linhas de produção competitivas para esses locais.
O ministro da Baixa Saxónia, o social-democrata Olaf Lies, declarou que os desafios perante a concorrência internacional são “enormes” e apontou que serão traçadas perspetivas de longo prazo para as unidades de produção. A vice-presidente do conselho de supervisão e líder do sindicato IG Metall, Christiane Benner, recordou a responsabilidade social da Volkswagen para com os trabalhadores e as regiões onde opera.
No calendário político regional, o texto refere que, “no próximo domingo”, o estado federado de Saxónia-Anhalt vai a votos, numa eleição em que a Alternativa para a Alemanha (AfD) pode vir a obter maioria absoluta — um facto relevante para os riscos e sensibilidades regionais ligados ao emprego industrial.
Gama de modelos e futuro das marcas
A empresa anunciou que reduzirá a gama de modelos em 50% até 2035 e cortará em 75% a complexidade da sua oferta. A intenção é aumentar o volume de vendas por modelo, reduzindo custos e adotando tecnologia mais eficiente.
O grupo não divulgou uma decisão final sobre a marca espanhola Seat. O semanário económico alemão WirtschaftsWoche noticiou que a produção da Seat poderá terminar, no mais tardar, no final de 2029, informação que o grupo não confirmou publicamente.
O plano também admite a possibilidade de alienar participações em subsidiárias, incluindo o fabricante de camiões Traton, e de concentrar investimento e marketing em marcas com maior potencial, como a Cupra.
No plano internacional, a Volkswagen pretende focar-se nos segmentos mais rentáveis na América do Norte, ajustar-se às novas previsões de crescimento na China e ampliar as exportações para o Sul Global.
O anúncio surge num contexto em que o grupo enfrenta pressão crescente: concorrência de fabricantes chineses na Europa, queda das vendas no mercado chinês e a tensão das tarifas nos Estados Unidos. A reestruturação procura responder a essas forças sem, por enquanto, apresentar soluções fechadas para todas as marcas e plantas afetadas.











