Blss U lança novo cardápio: leitão vira rabanada e coquetéis viram tentação

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Comandado desde este ano pelo chef Diogo Dias, o gastro club Blss U no Porto revisita o conceito que o tornou conhecido: mantém a irreverência, mas encurta formalidades e desloca a narrativa dos “sete pecados” para o bar. A mudança altera o foco do menu e promete impacto direto na experiência dos jantares e na oferta de cocktails da Baixa.

O símbolo mais provável de surpresa na nova carta é um pastel de nata que perdeu a forma tradicional para reaparecer com notas de café e um aroma adicional — uma ideia nascida num gesto simples: ao dobrar um papel, o chef viu um novo formato. A receita tornou-se um dos exemplos mais visíveis da nova leitura do espaço.

Da memória às técnicas contemporâneas

Natural de Santa Maria da Feira, Diogo iniciou a carreira em 2010 e acumulou estágios no Porto, em Palma de Maiorca e diversas experiências no Algarve. Recorda com frequência as receitas da avó como ponto de partida: essas memórias alimentam agora pratos que misturam produtos portugueses com técnicas conhecidas pelo chef ao longo dos anos.

Diogo Dias a preparar prato inspirado nas receitas da avó
Memórias de infância e técnicas contemporâneas orientam os pratos de Diogo Dias.

O Blss U abriu a 12 de setembro de 2024, perto da Sé Catedral, integrado no Sé Catedral Hotel Porto. Concebido para funcionar entre restaurante, bar e pista, o projeto nasceu com a intenção de quebrar a imagem de restaurante-hotel isolado e resgatar o formato de gastro club na cidade.

O que mudou no prato

A carta original, criada por Xavier Oliveira sob curadoria de Miguel Rocha Vieira, privilegiava uma base portuguesa temperada por influências asiáticas, japonesas e latino-americanas. Com Diogo ao leme, a proposta ganhou uma apresentação mais direta e uma ligação mais explícita aos ingredientes nacionais.

As referências orientais não desapareceram por completo: persistem, por exemplo, no bao de caranguejo, no miso do pão-de-ló e no sake servido com o ananás dos Açores. Mas há uma intenção clara de equilibrar essas influências com sabores portugueses e lembranças pessoais do chef.

O restaurante deixou de identificar pratos com nomes como “Gula” ou “Ira”. Agora, cada proposta é descrita pelo que chega à mesa e acompanha apenas uma frase sugestiva — uma abordagem que convida à interpretação pessoal do cliente.

O novo menu — destaques

O menu foi organizado para partilhar e experimentar. Pequenos apontamentos e combinações de sabores marcam a passagem do chef pela casa.

Bar com cocktails criativos servidos em copos variados
Os ‘sete pecados’ foram transformados em cocktails criativos e teatrais.

  • Pipocas de frango — 8€
  • Pastéis de bacalhau XXL com chutney de pimentos — 8€
  • Croquete de feijoada com maionese de enchidos e couve frita — 9€
  • Chamuça de cogumelos — 9€
  • Rabanada de leitão — 9€
  • Bao de caranguejo de casca mole — 11€
  • Choco “bolonhesa” — 12€
  • Bochecha de novilho com paelha de enchidos — 22€ (releitura do antigo arroz de enchidos)
  • Presa de porco com açorda de amêijoas — 24€
  • Bacalhau frito com molho tártaro — 24€
  • Garoupa assada com puré de aipo, manteiga queimada, salicórnia e limão — 24€
  • Pão-de-ló de miso com ameixa d’Elvas e chá verde — 9€
  • Pastel de nata reinventado (café) — 9,50€
  • Ananás dos Açores com sake e arroz — 8€

Entre os pratos, há uma mistura intencional de referências: da chamuça vegetariana à harissa com grão e batata-doce, até ao pico de gallo que acompanha caranguejo de casca mole — soluções pensadas para provocar e para ser partilhadas.

Os “sete pecados” mudam de casa: vão para o bar

O conceito dos sete pecados mantém-se, mas desloca-se em grande parte para a carta de bar. Lá, cada pecado tornou-se um cocktail com foco em criatividade e teatralidade — preços situados entre 10€ e 13€.

Alguns exemplos da carta de cocktails:

  • Gula: vodka, cordial de red velvet e espuma de mascarpone
  • Ira: mezcal, Ancho Reyes e pepino
  • Luxúria: rum com fatwash de queijo da Serra, água de pickle de beterraba e cordial de cenoura

Além destas criações, há cocktails clássicos e três opções sem álcool (7€–10€), sinalizando a aposta do espaço em ser também um destino para quem procura apenas a barra e a música.

O que isto significa para quem frequenta o Porto

O reposicionamento de Blss U aponta para uma tendência clara: lugares híbridos — que combinam restaurante e bar com programação — continuam a ganhar relevância na cidade. A nova carta facilita a partilha e reduz cerimónias, uma escolha que pode cativar clientes à procura de experiências descontraídas e de sabores inesperados.

Para quem acompanha a cena gastronómica portuense, a mudança é uma indicação de maturidade do projeto: menos exibicionismo técnico, mais foco em prazer imediato e coerência de produto.

FICHA TÉCNICA
Morada Rua Chã, 52 — 4000-165 Baixa, Porto
Contactos (+351) 913 831 589 · blssu@blssu.pt
Horário Diariamente, 12:00–15:30 e 19:00–23:30
Preço médio Entre 20€ e 30€
Tipo de cozinha Portuguesa contemporânea com bar de cocktails

Seja pelo novo olhar do chef ou pela ênfase nas criações do bar, o Blss U renova a sua promessa de ser um ponto de encontro gastronómico: menos formal, mais imediato e com pratos pensados para serem partilhados — e discutidos.

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