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O Prémio Gulbenkian para a Humanidade atribuído este ano à Alianza Ceibo, uma coligação de povos indígenas da Amazónia, trouxe ao centro do debate a urgência das políticas climáticas. Numa mensagem enviada à cerimónia, o Presidente da República, António José Seguro, apelou a um alinhamento político global e criticou a dispersão de prioridades após a pandemia.
Alerta presidencial sobre prioridades políticas
António José Seguro disse lamentar que, perante problemas tão graves como as alterações climáticas, “alguns países e líderes políticos” tenham deixado o tema em segundo plano por causa de outras urgências geopolíticas, económicas e sociais. A mensagem foi enviada enquanto o Presidente se encontra em visita oficial ao Vaticano.
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Segundo Seguro, adiar medidas de prevenção torna mais difícil e custosa a resposta futura. Recordou ainda eventos recentes como tempestades em Portugal e ondas de calor, que já exercem pressão sobre recursos hídricos, a agricultura e a saúde pública.
O Presidente felicitou os vencedores e sublinhou o papel dos povos indígenas na proteção dos ecossistemas, afirmando, numa frase citada na cerimónia: “É no território, no gesto concreto de quem cuida de uma floresta, ou de um rio, que se decide o clima do nosso planeta”.
Posição da Fundação Gulbenkian e do júri
António Feijó, presidente da Fundação Gulbenkian, criticou a actual “ofensiva” contra práticas e políticas ambientais, que, segundo ele, chega a penalizar discursos, investigação e defesa pública dessas causas.

Feijó descreveu uma evolução nas percepções sobre a crise ambiental: uma primeira fase em que se valorizava a sustentabilidade, seguida por uma crença de que a tecnologia resolveria os problemas, e agora uma fase em que soluções eficazes coexistem com resistências políticas e sociais.
Ao justificar a escolha do prémio, o presidente da fundação alertou que a questão ambiental se constitui como um risco existencial e que “o extractivismo sem freio dos recursos naturais existentes, que muitos defendem, pressupõe a morte da natureza”.
A antiga chanceler alemã Angela Merkel, que presidiu o júri, apontou os fenómenos climáticos extremos registados este ano e os excessos de mortalidade ligados ao calor. Para ela, esses sinais reforçam a razão de não abrandar os esforços de proteção do clima.
Vozes da Alianza Ceibo
Representantes da Alianza Ceibo interpretaram as alterações climáticas como um lamento da própria natureza e pediram maior escuta das mulheres nas decisões ambientais.
Denunciaram ainda uma tendência destrutiva impulsionada por interesses económicos e afirmaram que o dinheiro pode corroer relações sociais e culturais.
O grupo deixou um apelo directo às empresas e aos governos: “Apelamos às grandes empresas e aos governos que deixem de explorar os nossos território e o planeta”.
Ao reconhecer a Alianza Ceibo, a cerimónia da Fundação Gulbenkian procurou ligar a visibilidade internacional do prémio à defesa dos povos indígenas e ao papel destes na preservação de ecossistemas essenciais para o equilíbrio climático global.











