Uma plataforma cívica alerta para o prazo reduzido da consulta pública sobre a versão revista da central solar Sophia e questiona se a redução anunciada altera verdadeiramente o impacto ambiental do projeto. A controvérsia concentra-se na dimensão física da infraestrutura e nas reservas previstas para futuras ampliações — elementos que, dizem os críticos, continuam a colocar em risco paisagens, recursos e comunidades locais.
A Plataforma de Defesa do Parque Natural do Tejo Internacional (PDPNTI) considera insuficiente o tempo concedido aos cidadãos para analisar a documentação: há apenas 10 dias úteis para examinar a nova proposta, avaliar os estudos técnicos e apresentar observações. Para a organização, esse intervalo é incompatível com uma participação pública informada.
O promotor, uma empresa multinacional britânica, submeteu uma versão reformulada do projeto à Autoridade de Avaliação de Impacte Ambiental. Segundo a PDPNTI, a reformulação reduz a potência instalada em cerca de 34% e diminui a área ocupada pelos painéis em cerca de 36%, mas mantém intacta a área e a capacidade de transformação da subestação.
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- Localização: concelhos do Fundão, Idanha-a-Nova e Penamacor (Beira Baixa, distrito de Castelo Branco).
- Painéis previstos: 873.124 painéis solares distribuídos por cerca de 250 hectares.
- Área vedada total: aproximadamente 1.177 hectares.
- Linha aérea de 400 kV: cerca de 21 km de extensão.
- Infraestruturas adicionais: grande sistema de armazenamento em baterias e uma subestação com capacidade de transformação mantida.
- Reservas para expansão: o projeto inclui posições reservadas — cerca de 10% para ligação a energia eólica e cerca de 50% sinalizadas para utilização futura ou hibridização.
Para a PDPNTI, esses elementos levantam duas questões centrais: primeiro, se a manutenção do recinto da subestação, sem redução proporcional, não indica um redimensionamento parcial; segundo, se as posições reservadas não sugerem uma predisposição para futuras ampliações que escapariam à avaliação ambiental atual.
Os críticos apontam ainda lacunas nas avaliações dos riscos ambientais e de saúde pública associadas à central. Segundo a plataforma, os estudos em consulta não oferecem resposta suficiente sobre efeitos na paisagem, nos solos, nos recursos hídricos e nos modos de vida das comunidades envolvidas.
A discussão tem potencial impacto direto sobre quem vive e trabalha na região. Alterações na ocupação do solo, linhas de alta tensão e grandes áreas vedadas podem afetar a agricultura, o turismo de natureza e os ecossistemas locais — fatores que, sustentam os opositores, exigem transparência e tempo para análise.
O que está em disputa
Não se trata apenas de números: está em causa o modelo de decisão sobre o território. A PDPNTI apela à participação pública e lembra que a consulta decorre até dia 21 — um prazo que, na sua leitura, deverá ser alargado para garantir uma avaliação efetiva.
O apelo final da plataforma é claro: os cidadãos devem consultar os documentos e apresentar contributos enquanto a proposta estiver em apreciação. A questão colocada é simples, dizem os defensores do parque natural — e de grande alcance: que tipo de território se quer deixar às próximas gerações?











