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Durante a manifestação da CGTP em Lisboa, que pede aumento de salários e protesta contra o aumento do custo de vida, os líderes do Livre, do PCP e do BE censuraram a atuação do Governo em matéria de habitação e rendimentos. As declarações foram prestadas aos jornalistas no local e sublinharam pedidos de mudança de política.
Críticas do Livre: medidas que aquecem o mercado
A co-porta-voz do Livre, Isabel Mendes Lopes, defendeu hoje a necessidade de medidas que visem o arrefecimento do mercado da habitação. Para ela, a atual orientação do Governo favorece práticas que aumentam a pressão sobre os inquilinos.
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Isabel Mendes Lopes apontou exemplos como a tolerância a rendas elevadas, a facilitação de despejos e um enquadramento que, na sua opinião, fortalece grandes senhorios em detrimento de pequenos proprietários e arrendatários. “As pessoas estão desesperadas”, afirmou, acrescentando que não se percebem respostas políticas à altura do problema.
Ao mesmo tempo, a dirigente criticou o que classificou como “desprezo” por parte do Executivo e disse que este vive “numa bolha”. No entanto, apelou à calma e rejeitou qualquer linguagem que possa ser interpretada como ameaça — numa referência ao vídeo divulgado pelo gabinete do primeiro‑ministro relativo a um participante que terá proferido uma ameaça.
“A salvaguarda da integridade física e da integridade de qualquer pessoa e de qualquer político e das suas famílias… isso me parece essencial”, disse Isabel Mendes Lopes, sublinhando a importância de proteger pessoas e familiares.
PCP: participação como sinal político
Paulo Raimundo, secretário-geral do PCP, considerou que a adesão à manifestação revela “uma grande força para abrir um novo rumo para o país”. O líder comunista responsabilizou o primeiro‑ministro pela situação económica e social que, segundo ele, afeta os presentes na concentração.

Questionado sobre se a mobilização teria sido estimulada por declarações recentes de membros do Governo, Raimundo rejeitou essa explicação. Para o dirigente, as pessoas saem à rua por motivos concretos: salários curtos e pensões insuficientes.
Raimundo comentouse ainda sobre a reação do Executivo a protestos anteriores — depois de o ministro dos Assuntos Parlamentares ter dito que o Governo não cederá aos “gritos que vêm da rua” — afirmando que quem não ouve estas reivindicações está “completamente fora da realidade”.
BE acusa primeiro‑ministro de desviar atenções
O coordenador do BE, José Manuel Pureza, destacou que a manifestação reuniu pessoas mobilizadas em defesa de direitos próprios e alheios, e que vivem “um exercício de aflição” face aos preços da habitação. Em tom crítico, disse ter dúvidas de que o Governo passe a olhar o povo de forma diferente.
Pureza afirmou que as políticas em curso não respondem ao essencial — da habitação às despesas do dia a dia — e que é necessário alterar uma orientação que, na sua opinião, está a prejudicar o país.
Sobre a divulgação do vídeo do manifestante dirigido ao primeiro‑ministro, o bloquista afirmou que a escolha desse episódio pelo Governo pareceu-lhe uma manobra para desviar o foco do que considera principal. Chamou ainda atenção para o facto de a esmagadora maioria das concentrações pelo direito à habitação ser pacífica e considerou a reação do primeiro‑ministro sinal de “desespero”.
A manifestação da CGTP, em Lisboa, decorre esta tarde e concentra reivindicações centradas em aumentos salariais e medidas para conter o aumento do custo de vida, com os partidos de esquerda a exigirem respostas políticas mais efetivas na área da habitação e do rendimento.











