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Portugal: um país de casas vazias e de pessoas sem casa – Jornal do Ave — o país acumulou entre 2021 e 2025 um défice de oferta habitacional equivalente a cerca de 300.000 casas, segundo uma análise citada pelo Diário de Notícias do Financial Times.
O cálculo do défice citado pelo DN baseia-se num estudo do Banco de Espanha e compara o número de novos agregados familiares com a autorização de construção dois anos antes para estimar o desajuste entre procura e oferta.

O governador do Banco de Portugal, Álvaro Santos Pereira, disse ao Financial Times que a falta de oferta é a raiz do problema e que a ênfase deve estar em medidas do lado da oferta, segundo a reportagem publicada pelo DN.
Portugal: défice de 300 mil casas entre 2021 e 2025
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Os dados oficiais que ilustram a contradição portuguesa aparecem também nos Censos de 2021: há centenas de milhares de alojamentos desocupados — mais de 720.000 — enquanto a procura cresceu, especialmente nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto.
O efeito deste défice nota-se nos preços: o DN cita dados do Eurostat que mostram um aumento homólogo de 17,8% nos preços da habitação em Portugal no primeiro trimestre de 2026, a maior subida entre os Estados-membros da UE.

Por que o défice cresceu tão rápido
A reportagem do DN aponta três vetores: crescimento rápido do número de agregados familiares, fluxos migratórios recentes e capacidade produtiva da construção reduzida depois da crise financeira, referindo declarações de promotores e do Banco de Portugal.
O setor perdeu empresas e trabalhadores, disse ao Financial Times Manuel Maria Gonçalves, presidente da Associação Portuguesa de Promotores e Investidores Imobiliários, citado pelo DN, o que limita a resposta da oferta.
Em resposta, o Governo aprovou medidas fiscais e incentivos à construção e ao arrendamento em 2026, como o Decreto-Lei n.º 97/2026 de 20 de maio, destinado a fomentar a oferta mediante desagravamento fiscal — uma tentativa de elevar a produção face ao défice acumulado.
O que muda para quem procura casa
Para famílias e candidatos ao arrendamento, a consequência é direta: menor oferta e preços mais altos nas áreas de maior pressão. Lisboa é citada pelo DN como um dos exemplos mais extremos da distância entre salários e rendas.
Projetos públicos e privados terão de acelerar para reduzir o défice acumulado; como notou o Banco de Portugal ao Financial Times, o equilíbrio atingido em 2025 não elimina a escassez acumulada nos anos anteriores.
Sources
- Jornal do Ave (Google News) — notícia inicial que motivou a verificação e referência ao tema nacional de casas vazias e pessoas sem casa.
- Diário de Notícias — reportou que Portugal acumulou um défice de cerca de 300.000 casas entre 2021 e 2025 e citou o Financial Times e o estudo do Banco de Espanha.
- Eurocasas — forneceu contexto sobre o fenómeno das casas vazias em Portugal e recomendação de medidas fiscais sobre imóveis subutilizados.
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