Feira de frutos secos em Torres Novas: histórias de vida e tradição

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Aos 73 anos, José Joaquim Batista Canhoto trocou a oficina pelos pavilhões das feiras e mantém-se ativo vendendo frutos secos há quase duas décadas. A sua presença regular na Feira Nacional dos Frutos Secos, em Torres Novas, resume uma solução prática para complementar a renda e manter o contacto com a comunidade local.

Do ateliê às bancas

Natural de Pinhal Novo, José construiu grande parte da sua vida profissional como marceneiro — uma profissão que distingue com cuidado da carpintaria. Depois de muitos anos a trabalhar a madeira, optou por reduzir o ritmo, mas encontrou nas feiras uma forma de continuar a trabalhar sem regressar ao antigo ofício.

Ferramentas de marcenaria antigas sobre bancada de madeira, evocando um ateliê
Do ateliê às bancas: memórias da marcenaria que marcaram a vida de José.

Foi ao sair do mercado laboral que percebeu que a reforma não cobria todas as despesas. Começou então a vender frutos secos e, desde então, rareiam os intervalos entre deslocações: percorre várias feiras pelo país e presença há cerca de 16 a 17 anos na feira de Torres Novas.

Entre contas e convívio

O negócio não é apenas um complemento financeiro. Para José, as bancas são também um refúgio social. “Quando não tenho nada a fazer, estou entretido”, explica, sublinhando a importância das conversas com clientes e outros feirantes.

Ao mesmo tempo, reconhece as limitações: nem sempre as vendas correspondem às expectativas e os custos de logística — combustível e deslocações — impactam os ganhos. “Com o que temos, vai dando para o petróleo”, comenta com humor, lembrando que a atividade rende mais em termos de rotina do que como forma de enriquecimento.

Elemento Detalhe
Idade 73 anos
Profissão anterior Marcenaria (fabricante de móveis)
Atividade atual Venda de frutos secos em feiras
Presença em Torres Novas Há cerca de 16–17 anos
Motivação Complemento de rendimento e convívio

  • Exemplo de como aposentados procuram alternativas para equilibrar despesas sem deixar de ter rotina.
  • A participação em feiras sustenta laços sociais e permite transmitir ofícios e histórias locais.
  • Custos de deslocação e variabilidade nas vendas condicionam a sustentabilidade do negócio.

Apesar de ter formado a família longe do comércio de rua — os filhos seguiram outros caminhos profissionais — José conserva memórias e tradições. Gosta de contar, entre risos, que apesar do apelido ser Canhoto não aprendeu a escrever com a mão esquerda: os pais não o permitiram. A história ganhou uma continuação inesperada no neto, que ele descreve orgulhoso como “200% canhoto”.

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