Cesarianas sobem: duas maternidades privadas concentram mais nascimentos

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Em 2025, a maior parte dos nascimentos em Portugal concentrou‑se no setor privado, com Lisboa à frente da estatística — e com isso veio uma subida clara no recurso a cesarianas. A mudança altera a equação da assistência obstétrica, com efeitos imediatos para mães, hospitais e políticas de saúde.

Um levantamento junto de grandes hospitais privados e unidades locais do Serviço Nacional de Saúde (SNS) mostra que o Hospital Lusíadas Lisboa foi a unidade com mais partos no último ano, contabilizando 4 009 nascimentos. Logo a seguir aparece o Hospital da Luz, igualmente em Lisboa.

Privado em crescimento; público com centros concentrados

O aumento de partos no sector privado confirma uma tendência dos últimos anos: mais casais estão a optar por unidades privadas ou por partos fora das plataformas hospitalares do SNS. No lado público, a Maternidade Alfredo da Costa mantém‑se como a instituição com maior número de nascimentos.

A diferença de práticas entre os setores também se acentuou. Nos hospitais privados, aproximadamente seis em cada dez partos foram feitos por cesariana no último ano — cerca do dobro da proporção observada nas unidades públicas.

Posição Unidade Setor Observação
1.º Hospital Lusíadas Lisboa Privado 4 009 partos em 2025
2.º Hospital da Luz Privado Segundo maior volume em Lisboa
Maternidade Alfredo da Costa Publica (SNS) Maior maternidade do SNS

O que isto significa para quem nasce e para o sistema

  • Risco clínico e recuperação: a cesariana é uma cirurgia, com tempos de recuperação e risco de complicações maiores do que um parto vaginal.
  • Impacto nos custos: intervenções cirúrgicas implicam custos mais elevados para os sistemas de saúde e para as famílias, assim como maior utilização de recursos hospitalares.
  • Desigualdade de acesso: a concentração de partos no privado pode traduzir diferenças na forma como as opções de parto são apresentadas e financiadas.
  • Planeamento e capacidade: deslocações de gravidezes para o privado afetam a carga de trabalho das maternidades públicas e o planeamento de recursos no SNS.

As razões por trás deste movimento são multifatoriais: preferências das grávidas, práticas clínicas locais, organização hospitalar, e fatores económicos ou de seguro. O que os números deixam claro é que a escolha do local de parto não é neutra — tem consequências clínicas, financeiras e organizacionais.

Para a opinião pública e para decisores, a evolução dos próximos meses será relevante: monitorizar taxas de cesariana, garantir transparência na informação oferecida às famílias e avaliar se há necessidade de intervenções políticas para equilibrar práticas entre setores.

Em termos práticos, quem está grávida ou a planear uma gravidez deve procurar informação completa sobre riscos e benefícios de cada via de parto e discutir opções com a equipa clínica, garantindo uma decisão informada e centrada na segurança materna e neonatal.

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