Mostrar resumo Ocultar resumo
Orlando Raimundo morreu aos 77 anos deixando uma carreira que atravessou a imprensa, a formação de jornalistas e a investigação histórica. A forma como a sua morte passou inicialmente despercebida e as dificuldades no acesso a tratamento médico colocam agora questões sobre a proteção a profissionais séniores e a capacidade do sistema de saúde público.
A notícia do óbito só chegou a familiares e colegas depois de uma carta por responder ter levado a esposa a explicar a ausência do jornalista; dois dias separaram a morte do funeral. No dia da cerimónia, em Barcelona, a leitura do correio levou à preparação de um texto que acabou por servir de base às reações da imprensa e de instituições sobre a sua perda.
Trajetória e legado
Euribor a 3 meses sobe e volta ao nível de março de 2025, enquanto as taxas a 6 e 12 meses caem
Modi no centro de polêmica por infestação de baratas
Raimundo foi presença constante nos grandes acontecimentos do século XX em Portugal. Como repórter, acompanhou de perto os desdobramentos do 25 de Abril; mais tarde participou na fundação do Cenjor, escola que formou gerações de profissionais.
Durante duas décadas integrou a redação do Expresso, antes de se dedicar integralmente à escrita e à investigação. Entre as suas obras mais referidas estão estudos sobre o regime e figuras do Estado Novo, bem como manuais para a prática jornalística.
- Função: jornalista, formador e investigador;
- Locais: Expresso, Cenjor e diversas publicações nacionais;
- Obras notáveis: livros sobre Américo Thomaz e António Ferro, além de um manual de escrita jornalística amplamente citado;
- Últimos projectos: obra em preparação para a D. Quixote e uma biografia sobre uma magistrada pioneira.
Problemas de saúde e tratamento
Vítima de uma meningite na infância, Raimundo viveu grande parte da vida com limitações de mobilidade. Nos últimos anos, dores e complicações na coluna restringiram a sua atividade.
Foi aconselhada cirurgia, mas o agendamento pelo Serviço Nacional de Saúde (SNS) não avançou por falta de vagas. Procurou então atendimento privado e, com apoio administrativo do Hospital CUF, conseguiu realizar o procedimento em tempo útil — um percurso que evidencia a diferença de acesso entre setores público e privado.
Duas semanas antes do falecimento, sofreu uma fratura no pé — um acidente que ele próprio descreveu como “estúpido” — e acreditava numa recuperação. As complicações decorrentes do conjunto de problemas de saúde acabaram por levá‑lo a falecer.
Por que isto importa agora
O caso de Orlando Raimundo chama a atenção para dois temas imediatos: a fragilidade do acompanhamento de profissionais idosos e a pressão sobre o SNS para marcar cirurgias prioritárias. Também levanta a questão da conservação da memória jornalística e da disponibilidade das suas obras de referência.
Vários colegas e entidades lembraram não só a produção escrita, mas o papel de formador que Raimundo desempenhou ao longo de décadas — trabalho que continua a influenciar práticas e padrões profissionais nas redações portuguesas.
O que fica
Para leitores e profissionais, a morte de Raimundo é um convite a revisitar livros de referência e a refletir sobre a transmissão de saberes no jornalismo. Há também um apelo implícito: garantir que autores que ainda contribuem activamente para a reflexão pública tenham acesso célere a cuidados de saúde quando necessário.
Os ecos do seu trabalho devem inspirar não só reedições das obras didácticas, mas também políticas de apoio a jornalistas em fase de transição ou com limitações de saúde — medidas que poderiam prevenir perdas abruptas de contributos intelectuais no futuro.












