Moçambique: chuvas já atingem quase 900 mil e deixam 279 mortos

O balanço oficial das chuvas em Moçambique voltou a subir: o Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) informou, na manhã desta terça‑feira, que já são 279 as vítimas mortais e quase 900 mil as pessoas afetadas desde o início da época chuvosa. A situação mantém-se crítica porque as precipitações continuam previstas até abril e continuam a causar prejuízos agrícolas, deslocações e danos em infraestruturas essenciais.

Segundo a atualização do INGD às 08h32 locais, registou‑se um acréscimo de duas mortes em relação ao dia anterior e um aumento de cerca de 22 mil pessoas afetadas no último relatório. No total, as famílias atingidas chegam a 205.479, há 11 desaparecidos e 340 feridos reportados.

As cheias de janeiro tiveram impacto mais severo: foram responsáveis por pelo menos 43 óbitos, 147 feridos e nove desaparecimentos, atingindo diretamente mais de 715.000 pessoas. Já o ciclone Gezani, que passou por Inhambane entre 13 e 14 de fevereiro, provocou quatro mortes e afetou cerca de 9.040 residentes naquela província.

Em termos de habitação, o período chuvoso deixou um rasto de destruição: 6.305 casas ficaram totalmente arruinadas, 15.898 ficaram com danos parciais e 187.262 casas foram inundadas. O impacto sobre serviços públicos também é significativo — mais de 300 unidades de saúde, 84 locais de culto e 722 escolas foram afetados desde outubro.

O setor agrícola registou perdas consideráveis, com 267.205 hectares de culturas destruídos, o que atinge diretamente 342.227 agricultores. Além disso, reportaram‑se 531.058 mortes de animais de criação, incluindo bovinos, caprinos e aves, comprometendo a segurança alimentar local.

  • Hectares perdidos: 267.205
  • Agricultores afectados: 342.227
  • Animais mortos: 531.058
  • Estradas afetadas: 7.612 km
  • Pontes: 45
  • Aquedutos: 261

Para acolher famílias desalojadas, o INGD ativou 155 centros de acomodação desde o início da época, que chegaram a albergar 114.734 pessoas. Atualmente permanecem abertos 25 centros — cinco a mais na última semana devido a novas inundações — com pelo menos 6.760 pessoas ainda alojadas. As operações de resgate também prosseguem: 6.931 pessoas foram retiradas de situações de risco.

O relatório atualiza a escala dos danos e sublinha que a recuperação exigirá esforços contínuos em assistência humanitária, restabelecimento de infraestruturas e apoio à produção alimentar. Com a estação chuvosa ativa até abril, autoridades e comunidades permanecem em alerta para novos eventos que possam agravar o cenário.

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