Preços imobiliários disparam em 2025: compra de casa fica mais difícil

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O Instituto Nacional de Estatística (INE) divulgou hoje dados que mostram uma aceleração inédita dos preços da habitação em 2025: o índice subiu 17,6% face a 2024 — o ritmo mais forte desde o começo da série disponível. O movimento afeta mercados regionais de forma desigual e pressiona a acessibilidade para quem pretende comprar com recurso a crédito.

Principais sinais do mercado em 2025

O ano terminou com um aumento generalizado dos preços e um volume de negócios também recorde em termos de número de operações e valor financeiro. Segundo o INE, várias tendências merecem atenção imediata, sobretudo para compradores e para quem acompanha a evolução do crédito imobiliário.

  • Índice de preços da habitação: subida anual de 17,6%, o maior registo da série histórica.
  • Número de transações: 169.812 habitações negociadas, um acréscimo de 8,6% em relação a 2024.
  • Diferença por tipo: as habitações existentes registaram um aumento médio superior (18,9%) ao das habitações novas (14,2%).
  • Valor total transacionado: 41.200 milhões de euros, um crescimento anual de 21,7%.
  • Compradores nacionais vs estrangeiros: 95,0% das aquisições foram feitas por residentes fiscais em Portugal; o segmento estrangeiro caiu para 8.471 operações (-13,3%).

Onde o mercado cresceu — e onde recuou

Em número de operações, o Centro (27.467 vendas) e a sub-região Oeste e Vale do Tejo (16.115) acumularam mais de um quarto do total nacional, apresentando os maiores ganhos das suas quotas regionais. Já a Grande Lisboa manteve o maior volume absoluto de vendas (31.762 habitações), mas perdeu peso relativo face a 2024.

Em termos de valor, a Grande Lisboa liderou com 12.400 milhões de euros — cerca de 30,1% do montante transacionado — embora a sua participação tenha diminuído mais do que em qualquer outra região. O Norte contabilizou 10.500 milhões de euros, aumentando ligeiramente a sua quota.

Regiões como a Península de Setúbal, o Centro e o Oeste e Vale do Tejo destacaram-se por ganhos percentuais no peso sobre o total do valor das transações, cada uma subindo pelo menos 0,5 pontos percentuais.

Compradores estrangeiros e perfil das operações

O retrocesso nas compras efetuadas por não residentes já soma o terceiro ano consecutivo. Do total de aquisições por compradores fora do país, 4.416 foram de cidadãos da União Europeia (queda de 9,6%), enquanto as restantes nacionalidades somaram 4.055 negócios (-17,1%).

Ao mesmo tempo, as vendas a famílias residenciais cresceram tanto em número como em valor: 148.632 habitações vendidas a famílias (+10,5%) e 35.700 milhões de euros em valor (+24,4%), representando perto de 87% do total das operações.

Último trimestre de 2025: preços sobem, transações caem

No quarto trimestre do ano, a leitura anual do índice de preços aumentou para 18,9%, com uma subida mais acentuada nas habitações existentes (20,9%) do que nas novas (13,7%).

Contudo, entre outubro e dezembro verificou-se uma quebra no número de operações: foram transacionadas 43.084 habitações, uma redução de 4,7% face ao mesmo período de 2024 — a primeira contração homóloga desde o início de 2024. Em cadeia houve, porém, uma ligeira recuperação (+1,4%).

O valor das vendas no trimestre foi de 10.800 milhões de euros, superior em 5,9% ao registado no trimestre homólogo. As operações com habitações existentes aumentaram em valor (+9,7%), enquanto o montante associado às habitações novas recuou (-3,7%).

O que isto significa para quem quer comprar ou investir

A aceleração dos preços reduz a margem de manobra para novos compradores e pode tornar os pedidos de crédito mais onerosos, numa conjuntura em que as taxas de juro mantêm‑se pressionadas pela política monetária. Para investidores, o crescimento do valor transacionado e a dinâmica regional abrem oportunidades em zonas onde o peso das operações tem subido.

Em termos práticos, recomenda-se atenção às seguintes variáveis antes de avançar com uma compra:

  • Comparar evolução de preços entre habitações novas e existentes na área de interesse.
  • Avaliar o impacto de uma eventual subida das taxas de juro na prestação mensal.
  • Monitorizar a participação de compradores não residentes, que influencia segmentos de luxo e zonas turísticas.
  • Considerar a liquidez regional: regiões com aumento de quota podem oferecer maior procura secundária.

Os números do INE traçam um quadro de forte valorização em 2025, mas também de mudanças na composição do mercado que influenciam decisões de compra, estratégia de investimento e políticas públicas relacionadas com habitação. Continuaremos a acompanhar a evolução quando saírem os dados trimestrais seguintes.

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