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Em Tomar, um novo projeto cultural está a transformar o teatro num espaço de aprendizagem para crianças e adolescentes, com efeitos práticos na escola e nas relações sociais. Instalado no Cineteatro Paraíso, o grupo revela-se hoje como uma aposta local na formação artística e no desenvolvimento de competências úteis além do palco.
Do palco à sala de aula: como funciona a companhia
Lançada em outubro de 2024 por Pedro Assis e Joana Jacob, a companhia residente reúne 24 participantes entre os 6 e os 18 anos, com apoio da Câmara Municipal de Tomar. O projeto pretende ir além de espetáculos: os jovens aprendem as várias etapas de uma produção — da escrita à iluminação — num ambiente colaborativo.
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Atualmente, decorrem os ensaios da primeira criação original do grupo, intitulada Um bicho debaixo da cama, enquanto uma segunda montagem está em fase inicial de desenvolvimento. As peças são construídas com a contribuição direta dos jovens, que participam na dramatização e na concepção dos aspetos cénicos.
O que os participantes aprendem
- Técnicas de voz e expressão corporal;
- Escrita dramatúrgica e criação de texto;
- Noções básicas de cenografia, luz e som;
- Composição musical e confecção de adereços;
- Trabalho coletivo, responsabilidade e gestão de projetos.
Segundo o encenador e um dos fundadores, Pedro Assis, a proposta tem objetivo pedagógico claro: ensinar o teatro nas suas múltiplas facetas e, ao mesmo tempo, promover o crescimento pessoal dos participantes. Para além das técnicas artísticas, a experiência oferece ferramentas que se refletem no dia a dia — desde a comunicação até à capacidade de trabalhar em equipa.
O tema da primeira peça é revelador dessa intenção: ao explorar o medo do desconhecido, a montagem busca normalizar receios comuns entre crianças e adolescentes e favorecer a expressão emocional num contexto seguro.
Impacto na comunidade e no percurso dos jovens
Famílias e coordenadores identificam ganhos concretos. As irmãs Nina e Ana Mar Calado, com 13 e 9 anos, acompanham o projeto desde o início e destacam melhorias nas relações sociais, novas amizades e efeitos positivos no desempenho escolar.
Para a cidade de Tomar, a existência de uma companhia infantojuvenil residente representa uma aposta cultural com retorno local: além de apresentar espetáculos, o grupo cria oportunidades de participação para famílias e escolas da região.
Em termos práticos, a iniciativa oferece também uma porta de entrada para quem pretende seguir carreira artística, sem excluir quem só procura atividades extracurriculares com valor formativo.
O que observar nos próximos meses
Fique atento a três pontos que definem o percurso do projeto nos meses seguintes:
- Lançamento e recepção de Um bicho debaixo da cama ao público;
- Desenvolvimento da segunda criação, que poderá ampliar o repertório e os métodos de trabalho;
- Possíveis parcerias educativas e comunitárias que aumentem o alcance das ações.
O resultado prático desse trabalho será medido tanto pela qualidade artística das peças como pela consolidação das competências pessoais dos jovens — uma aposta que, em Tomar, já vai além do ato de subir ao palco.












