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Um estudo da Universidade de Aveiro revela que certas macroalgas marinhas podem reduzir de forma significativa a presença de corantes sintéticos em água, oferecendo uma alternativa de baixo custo e com potencial de aplicação prática em Portugal. A descoberta ganha relevância num momento em que descartes industriais persistentes seguem afetando ecossistemas aquáticos e a eficácia dos tratamentos convencionais é limitada.
Pesquisadores portugueses avaliaram o desempenho de três géneros de macroalgas — Fucus, Gracilaria e Ulva — na remoção do corante de referência azul de metileno, usado como modelo para simular poluentes presentes em efluentes têxteis, hospitalares e químicos.
O que foi testado e porquê
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Os cientistas compararam algas vivas e biomassa seca em diferentes condições de salinidade e tipos de água, para entender como variam a rapidez e a eficiência do processo. A escolha do azul de metileno permite medir de forma controlada a capacidade de adsorção e degradação pelos organismos.
Segundo os autores, compostos corantes são frequentemente resistentes a tratamentos tradicionais e podem reduzir a penetração da luz na coluna de água, prejudicando a fotossíntese e acumulando-se na cadeia alimentar — fatores que tornam urgente a procura de soluções alternativas.
Principais resultados
Os testes mostraram que tanto biomassa viva quanto seca apresentaram taxas de remoção relevantes, porém com comportamentos distintos conforme a espécie e as condições experimentais. Destaques:
| Macroalga | Forma testada | Taxa de remoção reportada | Tempo observado | Ambiente favorável |
|---|---|---|---|---|
| Ulva | Viva | Até 92% | Aproximadamente 6 horas | Água doce e baixa salinidade |
| Fucus | Biomassa seca | Cerca de 96% | Aproximadamente 30 minutos | Ambientes com maior salinidade |
| Gracilaria | Viva e seca | Remoção significativa | Variável conforme condições | Resultado intermédio entre Ulva e Fucus |
Os autores salientam que a biomassa seca mostrou respostas mais rápidas, enquanto as algas vivas oferecem vantagens operacionais, incluindo facilitação da separação pós-tratamento e a capacidade adicional de fixação de carbono.
Implicações práticas
O estudo aponta caminhos concretos para integração dessas macroalgas em estratégias de tratamento de efluentes, sobretudo por meio de cultivo controlado, em vez de colheita direta no mar — uma precaução para evitar impactos ecológicos.
- Possível integração em estações de tratamento como etapas complementares para reduzir corantes persistentes.
- Uso de biomassa residual de outras indústrias ou cultivo dedicado para escala industrial.
- Benefício adicional na captura de CO2 quando são utilizadas algas vivas.
Em Portugal, a aquacultura de macroalgas já está consolidada em algumas regiões, o que facilita a transição para aplicações ambientais e industriais, sem necessidade de tecnologias de elevado custo.
Limitações e próximos passos
Os resultados foram obtidos com um corante modelo em condições controladas; os autores alertam para a complexidade dos efluentes reais, que contêm misturas de substâncias e variáveis físicas que podem influenciar a eficácia.
Os investigadores — Sofia Grangeia, Thiago Silva, Eduarda Pereira e Bruno Henriques, do Departamento de Química e do Laboratório Associado para a Química Verde da Universidade de Aveiro (LQV-REQUIMTE) — consideram este trabalho um primeiro passo promissor. O avanço exige ensaios com águas residuais reais e estudos de escalonamento para avaliar viabilidade económica e operacional.
Em suma, as macroalgas despontam como uma alternativa sustentável e de custo reduzido para combater poluentes que persistem após tratamentos convencionais, oferecendo uma solução que alia proteção ambiental e potencial aproveitamento em cadeias industriais existentes.












