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Um mapa por satélite com resolução de 10 metros promete orientar a gestão do risco de incêndio já para este verão, apontando freguesias e parcelas com maior probabilidade de arder. A novidade, disponível na plataforma LandOS — A Minha Terra, combina imagens recentes com modelos matemáticos para oferecer um retrato sazonal do combustível vegetal no território.
Desenvolvido em colaboração com uma empresa neerlandesa especializada em modelos e inteligência artificial, o projeto traz um nível de detalhe inédito em Portugal — não apenas um índice estático de risco, mas uma camada que reflete o efeito do último inverno, das chuvas e dos incêndios recentes.
Como funciona e o que muda na prática
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Segundo Pedro Rocha, da equipa de desenvolvimento, o mapa parte de dados oficiais produzidos por entidades do Estado e acrescenta variáveis recentes — precipitação, presença de vegetação após o inverno, acumulação de madeira e o histórico de fogo — para gerar uma avaliação sazonal do risco por parcela.
O resultado não é uma previsão minuto a minuto: trata-se de uma fotografia estratégica feita antes da época mais quente, que indica onde a situação tende a ser mais grave e onde faz sentido concentrar esforços de limpeza e prevenção.
Diferenças essenciais: risco estrutural versus risco sazonal
O mapa tradicional, frequentemente citado nas políticas de gestão do território, captura o que chamamos de risco estrutural — condições estáveis da paisagem, como relevo, declividade e tipo de vegetação. Este novo produto adiciona uma camada dinâmica, o risco sazonal, que muda de ano para ano conforme o clima e o histórico recente de incêndios.
Essa distinção é prática: uma área com baixo risco estrutural pode tornar‑se mais perigosa se houve chuva abundante que favoreceu crescimento de biomassa; por outro lado, zonas que arderam no ano anterior podem apresentar risco reduzido porque o combustível foi consumido.
Exemplos ilustram a diferença. No Alentejo, as chuvas do último inverno aumentaram a vegetação e elevaram o risco sazonal em locais que no mapa estrutural aparecem com menor probabilidade de incêndio. Já no Interior Centro — municípios como Pampilhosa da Serra, Arganil e Covilhã — os fogos de 2025 reduziram o combustível, refletindo uma queda no risco para 2026 face ao perfil estrutural.
O que a plataforma permite fazer
- Consultar, por freguesia e parcela, a camada sazonal de risco com resolução de 10 m;
- Comparar o risco atual com o mapa estrutural para identificar mudanças recentes;
- Priorizar operações de limpeza e gestão do combustível com base em zonas com risco elevado;
- Apoiar proprietários e autoridades locais na tomada de decisões pré‑época.
Além disso, a LandOS alerta para situações atípicas: o interior do Algarve, historicamente de menor risco, mostrou aumento de vegetação após um inverno excecionalmente chuvoso, o que cria “combustível” onde normalmente não existe.
Dados da plataforma também confirmam um padrão persistente: várias áreas do interior Norte e Centro queimaram repetidas vezes nas últimas duas décadas, o que evidencia uma predisposição estrutural ao fogo em certas paisagens portuguesas.
Limitações e implicações para políticas públicas
O mapa sazonal serve como ferramenta de apoio à decisão, não substitui trabalhos de campo nem vigilância em tempo real. Ainda assim, oferece um instrumento prático para redistribuir recursos de limpeza, planear campanhas de prevenção e informar proprietários sobre a condição dos seus terrenos antes do pico térmico.
Para gestores públicos e equipas de proteção civil, a novidade pode alterar prioridades: áreas que exigiam atenção segundo modelos antigos podem passar para segundo plano, enquanto novas zonas com crescimento vegetal acelerado merecem intervenção imediata.
O acesso aos mapas e relatórios está disponível na página da plataforma LandOS — A Minha Terra, onde os utilizadores podem consultar o estado por freguesia e explorar comparações entre o risco estrutural e o risco sazonal.
Num contexto de eventos climáticos cada vez mais variáveis, a ferramenta oferece um recurso prático e atual para reduzir vulnerabilidades antes que a época de incêndios atinja o pico.












