O cineasta de vida selvagem Doug Allan morreu aos 74 anos durante uma caminhada no Nepal, noticia a agência que o representava. Figura central das grandes séries da BBC e colaborador frequente de David Attenborough, Allan deixa um trabalho que ajudou a transformar a forma como o público vê mares, glaciares e espécies em ambientes extremos — e isso explica por que a sua perda é sentida hoje por quem acompanha natureza e conservação.
Segundo a Jo Sarsby Management, Allan sentiu-se mal no início de uma caminhada na segunda-feira e teve problemas respiratórios; chegou a receber apoio de amigos no terreno, mas acabou por falecer na quarta-feira. A BBC também noticiou o caso, sem indicar causas médicas detalhadas.
Ao longo de quase cinco décadas atrás das câmaras, Allan especializou-se em imagens difíceis: mergulhos em águas geladas, filmagens em gelo e expedições em locais remotos. O seu trabalho aparece em séries que marcaram gerações, como Planeta Azul, Planeta Terra, Planeta Gelado e Life in the Freezer, produzidas pela BBC e exibidas internacionalmente.
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Profissional apreciado por colegas, foi descrito pela equipa como um pioneiro do cinema naturalista — alguém que buscava a fotografia íntima sem perder de vista a segurança das equipas e o rigor científico.
- Prémios: vencedor de múltiplos Emmy e BAFTA ao longo da carreira.
- Honras: Oficial da Ordem do Império Britânico e duas Medalhas Polares.
- Especialidade: filmagens acima e abaixo da água, frequentemente em condições extremas.
- História de campo: sobreviveu a incidentes perigosos em expedições, incluindo um encontro com uma morsa agressiva.
A carreira de Allan ajudou a aproximar audiências globais de ecossistemas remotos e a sustentar narrativas de conservação na televisão. As imagens que captou contribuíram para campanhas de sensibilização sobre os oceanos e as regiões polares, temas que permanecem centrais no debate ambiental atual.
Colegas e emissoras devem anunciar nos próximos dias tributos e repescagens das suas obras; muitos espectadores provavelmente vão rever episódios emblemáticos para reavaliar o impacto visual e educativo do seu trabalho.
No terreno, cineastas de natureza enfrentam riscos constantes: viagens longas, condições meteorológicas extremas e encontros com fauna. A morte de Allan recorda esse lado perigoso da profissão e ressalta a dedicação necessária para levar imagens raras ao grande público.
Doug Allan deixa uma filmografia ampla que continuará a ser usada por produtores, cientistas e educadores. As sequências que filmou — de paisagens geladas a cenas subaquáticas — mantêm-se como referência para novos realizadores e para quem procura entender melhor o planeta.












