Quatro alunas do 11.º ano da Escola Secundária do Cartaxo foram as vencedoras do primeiro prémio no concurso de textos do seminário “Nós Propomos! Cidadania e Inovação na Educação Geográfica”, graças ao projecto “Cuidar de Quem Cuidou — Mobilidade Sénior no Concelho do Cartaxo”. A distinção chama a atenção para um problema concreto e atual: a necessidade de soluções práticas para a mobilidade da população idosa no território local.
O trabalho assinado por Alice Almeida, Joana Mourão, Lara Quintino e Olivia Matos foi avaliado como o melhor entre propostas escolares que procuram identificar e resolver desafios comunitários. Os autores focaram-se em medidas que facilitem deslocações de pessoas com idade avançada, combinando diagnóstico de campo e propostas de intervenção.
O seminário encontra-se na sua 14.ª edição e é organizado pelo Instituto de Geografia e Ordenamento do Território da Universidade de Lisboa. O programa incentiva alunos a transformar observações locais em propostas concretas de política pública ou de intervenção cívica — uma abordagem que, além de Portugal, já está a ser aplicada noutros seis países.
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Entre as ideias apresentadas no projeto destacam-se soluções de baixo custo e impacto direto para utilizadores:
- Requalificação de percursos pedonais e pontos de espera junto a serviços de transporte público;
- Horários e rotas adaptadas às necessidades dos idosos, com prioridade para ligações a centros de saúde e comércio local;
- Campanhas de sensibilização e voluntariado para apoio às deslocações diárias;
- Uso de tecnologias simples para coordenar transportes sob demanda e informação acessível.
Para o município do Cartaxo, propostas desse tipo têm implicações práticas: podem reduzir o isolamento social, melhorar o acesso a cuidados e dinamizar o comércio local ao facilitar deslocações. Além disso, servem como exemplo de colaboração entre escolas e autarquia no desenho de políticas locais.
Do ponto de vista educativo, iniciativas como esta mostram vantagens pedagógicas claras — os alunos experimentam pesquisa aplicada, contactam fontes locais e aprendem a traduzir diagnóstico em propostas. Essas competências são valorizadas tanto em projetos comunitários como em futuros percursos académicos e profissionais.
O prémio traz visibilidade ao projecto e abre caminho para que medidas sugeridas sejam consideradas por decisores locais. O passo seguinte dependerá da articulação entre escola, câmara municipal e outras entidades públicas ou do terceiro setor para avaliar a viabilidade de pilotos e intervenções.
Em suma, o reconhecimento recebido pelas estudantes do Cartaxo destaca uma solução orientada para problemas reais e reforça a importância de envolver jovens no planeamento do território — especialmente quando se trata de responder às necessidades de uma população que envelhece.











