Uma nova editora estreia-se com uma ligação íntima ao passado rural e uma aposta clara em diversidade: batizada com o nome do avô do fundador, a Aruel lança a coletânea de poesia Abrir Abraços e anuncia a publicação de mais cinco títulos ainda este ano. O projeto promete traduzir memórias familiares em uma plataforma editorial comprometida com liberdade, inclusão e multiculturalidade — um sinal de mudança relevante no panorama das pequenas editoras portuguesas.
O impulsor da iniciativa é o poeta e artista Carlos Luís Ramalhão. Ao escolher o nome Aruel, Ramalhão recupera a figura do seu avô, natural de Albergaria de Almoster, no concelho de Santarém, homem humilde que viveu como pastor de cabras e deixou, segundo o neto, uma marca ética e afetiva decisiva.
Não se trata apenas de homenagem sentimental. Para o fundador, transformar aquela memória num selo editorial é também um gesto público: oferecer espaço a vozes que muitas vezes encontram portas fechadas nas vias tradicionais de publicação.
Editora na Maia adota nome de pastor ribatejano: nova voz no panorama literário
Primeiro trailer anuncia novo capítulo da série lendária dos videojogos
Radicada na Maia, distrito do Porto, a editora assume uma agenda cultural clara. O primeiro título, Abrir Abraços, reúne textos e imagens de dezenas de criadores, incluindo nomes da literatura e das artes performativas, e também músicos. A obra é, na prática, um catálogo inaugural que quer traduzir a missão editorial em práticas concretas.
- Lançamento: coletânea “Abrir Abraços”.
- Local de origem: Maia (Porto), com raízes simbólicas no Ribatejo.
- Plano editorial: cinco títulos adicionais previstos até ao final do ano.
- Valores públicos: liberdade de expressão, tolerância, respeito e multiculturalidade.
- Foco: dar visibilidade a autores com menos oportunidades de divulgação.
Entre os colaboradores do volume inaugural figuram poetas e artistas visuais — uma lista diversa que atravessa gerações e linguagens. Alguns dos nomes presentes na coletânea:
| Nome | Contributo |
|---|---|
| Marta Pais Oliveira | Texto |
| José Mário Silva | Texto |
| Sara Duarte Brandão | Texto |
| Judite Canha Fernandes | Texto |
| Inês Francisco Jacob | Imagem / Texto |
| Sofia (Capital da Bulgária) | Música |
| Bia Maria | Música |
| Vários artistas | Artes performativas |
O momento é significativo porque pequenas editoras costumam ser laboratório de novidades culturais. Num contexto mediático onde a amplificação de vozes plurais é cada vez mais debatida, projetos como este atuam diretamente sobre quem escreve, publica e lê — e também sobre como a diversidade chega às prateleiras e às redes.
Ramalhão, que assume o projeto sem artifícios, descreve a Aruel como uma plataforma aberta: quer promover trocas entre poesia, imagem e música e trabalhar com criadores que não têm grande visibilidade. É, na prática, uma tentativa de descentralizar a circulação cultural.
Para leitores e profissionais do setor, as apostas imediatas são claras: acompanhar os lançamentos, prestar atenção às vozes emergentes reunidas nesta editora e perceber como iniciativas locais podem influenciar debates nacionais sobre pluralidade cultural.
O primeiro catálogo já disponível — e a agenda para o resto do ano — tornam a editora um nome a observar. Mais do que um selo novo, Aruel quer ser um projeto editorial com raízes pessoais e ambição coletiva.












