Braga avança com app para mapear e denunciar buracos nas ruas

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Problemas rotineiros nas ruas — buracos que reaparecem meses depois das obras, drenagem ineficaz e pedidos de intervenção que se perdem na burocracia — levaram a Junta de Freguesia de Lamas a apostar numa solução digital para gerir melhor o território, reduzir custos e acelerar respostas aos moradores. A plataforma será apresentada no 14.º Congresso Nacional da Administração Pública, promovido pelo INA, que decorre entre 21 e 22 de maio.

Uma ferramenta pensada para decisões mais racionais

O projeto, liderado pelo presidente da junta, José Carlos Ferreira, junta dados técnicos e económicos para ajudar a priorizar intervenções. Em vez de depender apenas de relatos avulsos ou de reparações pontuais, a aplicação organiza históricos de obras, localizações e valores gastos — o que facilita entender quando é mais vantajoso investir numa reabilitação completa do que em sucessivos remendos.

A equipa descreve o sistema como um instrumento de apoio à decisão, capaz de reduzir custos a médio e longo prazo e de melhorar a capacidade de resposta da freguesia perante avarias recorrentes.

Funcionalidades chave

  • Análise técnica e económica: cruza intervenções anteriores, áreas reparadas e custos acumulados para calcular quando compensa uma obra mais profunda.
  • Controlo de garantias: emissão automática de alertas quando há problemas em trechos ainda cobertos por garantia, para verificar responsabilidade da empresa executante.
  • Participação cidadã: moradores reportam buracos, entupimentos ou riscos com georreferenciação e recebem atualizações em tempo real sobre o tratamento da ocorrência.
  • Lamas SOS: módulo específico para acompanhar situações sociais sensíveis e apoiar população vulnerável.

Estas funções foram pensadas para aumentar a transparência e evitar que pedidos fiquem presos em filas de chamadas ou e-mails sem seguimento — um problema apontado por residentes em muitas freguesias.

O que muda para o cidadão

Na prática, quem reportar uma situação vê o sinal chegar diretamente aos serviços técnicos com localização precisa, o que acelera triagens e evita deslocações desnecessárias. Quando a intervenção estiver ainda sob garantia, o sistema pode indicar que a responsabilidade da reparação é da empresa que executou a obra — diminuindo custos para os cofres locais.

Além disso, a comparação entre custos de manutenção sucessiva e de reabilitação total dá aos responsáveis locais uma base objetiva para justificar escolhas orçamentais perante a população e parceiros institucionais.

Potencial de replicação e próximos passos

Ao levar a plataforma ao congresso do INA, a junta de Lamas pretende mostrar um modelo que pode interessar a outras autarquias enfrentando restrições orçamentais e problemas idênticos nas infraestruturas locais. A estratégia passa por demonstrar resultados práticos e, a partir daí, avaliar escalabilidade.

Segundo José Carlos Ferreira, o objetivo é apoiar decisões “mais sustentáveis a médio e longo prazo”, reduzindo custos futuros de manutenção e fortalecendo a capacidade de resposta da freguesia. Se a iniciativa trouxer os resultados esperados, poderá servir como exemplo de como pequenas administrações usam dados para gerir melhor o espaço público.

Para já, a plataforma permanece em fase de apresentação pública no congresso e em ajustes finais para implementação local; as próximas semanas deverão clarificar o calendário de testes e possível abertura a outras freguesias.

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