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Lisboa ganha novas narrativas em cena neste junho: estreias que revisitam clássicos, adaptações literárias e criações contemporâneas que dialogam com questões do presente. Para quem procura programação cultural com diálogo político, estético e humano, três estreias merecem atenção imediata — tanto pelo elenco como pelas temáticas que colocam em debate.
O corpo e a memória — “A Gorda”
A Gorda, adaptação do romance de Isabela Figueiredo, estreia no Teatro Maria Matos a 15 de junho. A peça acompanha Maria Luísa, que muda o corpo mas mantém as marcas de uma identidade construída ao longo da vida.
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A encenação é assinada por Sofia de Portugal, com dramaturgia de Marta Dias e interpretação de Maria Rueff. O espetáculo investiga, de forma contida e direta, temas como amor‑próprio, relações familiares e as contradições sociais do Portugal pós-25 de Abril — questões que continuam a ecoar no quotidiano e nas conversas públicas.
Clássico repensado — “Es Tr3s Irms”
Tita Maravilha propõe uma leitura pós‑contemporânea de “As Três Irmãs” de Anton Tchékhov. A criação, vencedora da quinta edição da Bolsa Amélia Rey Colaço, sobe ao palco do São Luiz entre 26 e 28 de junho.
Com Ivvi Romão, June João e Luan Okun no elenco, a montagem cruza linguagens e explora as subjetividades das protagonistas para questionar normas sociais e modos de viver. É uma reinterpretação que privilegia o sensorial e o político ao mesmo tempo, oferecendo outra forma de olhar para um texto da dramaturgia mundial.
Fábula climática — “Polo Norte”
A companhia Mala Voadora apresenta Polo Norte, criação dirigida por Jorge Andrade que parte de uma ideia inusitada: um Paraíso preservado sob o gelo do Ártico. A peça usa humor e invenção para escrever uma parábola sobre a crise climática — e sobre a forma como imaginamos recuperações coletivas.
No elenco estão Albano Jerónimo, Hoji Fortuna, Jani Zhao e José Mata. Entre provocações e reflexões filosóficas, a montagem sugere que o aquecimento global pode ser a chave narrativa para repensar mitos e responsabilidades ambientais.
Se está a planear a agenda cultural do mês, estes espetáculos trazem motivos distintos para marcar bilhete: drama íntimo, reinvenção de um clássico e fantasia política sobre o clima.
| Espetáculo | Local | Datas | Porquê ver |
|---|---|---|---|
| A Gorda | Teatro Maria Matos | 15 de junho | Reflexão sobre corpo, identidade e memória coletiva. |
| Es Tr3s Irms | São Luiz Teatro Municipal | 26–28 de junho | Releitura multidisciplinar de um clássico de Tchékhov. |
| Polo Norte | (Varia consoante sessões) | Junho | Parábola sobre aquecimento global e imaginários do Paraíso. |
- Procure horários e políticas de acesso nas bilheteiras dos teatros — muitas produções em estreia têm sessões limitadas.
- Considere ler o romance ou textos base antes de ver as adaptações; a experiência dramática ganha camadas com esse contexto.
- Para quem se interessa por temas sociais e ambientais, estas três propostas oferecem pontos de diálogo diferentes e complementares.
Estas estreias mostram que a cena lisboeta continua viva e atenta às urgências contemporâneas: seja pela reinvenção de cânones, seja pela capacidade de transformar debates sociais em dramaturgia. Vale a pena acompanhar a programação ao longo do mês e reservar com antecedência.











