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O Pára-clube Nacional Os Boinas Verdes, com sede em Vila Nova da Barquinha, prepara-se para assinalar 50 anos em 2027 — um marco que relança o debate sobre preservação de memória militar, formação de novos praticantes e sustentabilidade financeira da associação. Na Área Militar de Tancos, a rotina de treinos e primeiros saltos revela tanto a emoção do desporto como os desafios que poderão definir o futuro do clube.
No ritmo dos aviões e das amizades
Às semanas, o zumbido dos motores e a azáfama dos instrutores voltam a preencher a base. Iniciantes apertam capacetes, veteranos checam equipamento e o avião sobe para criar, por alguns minutos, outro mundo em que a gravidade é vencida pela vontade de saltar.
O clube mantém-se ativo como espaço de formação e convívio: há quem procure a experiência pela primeira vez e quem some centenas ou milhares de saltos. Entre nervos e risos, formam-se laços que ficam para além da queda livre.
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Primeiros saltos e memórias pessoais
Rosa Margarida, de Tábua (Coimbra), voltou a Tancos para o segundo salto da vida. A ligação ao paraquedismo começou há cerca de dois anos, quando acompanhou o marido militar a uma sessão de treino. Tinha 51 anos quando entrou no avião pela primeira vez — foi empurrada para a aventura pelos instrutores e recorda bem o misto de susto e admiração.
Para ela, o momento em suspensão no ar não se traduz facilmente em palavras: a paisagem, a calma inesperada, a sensação de estar noutro plano. Ainda assim admite que a experiência não é universal — lembra uma mulher que, apesar de várias tentativas, não conseguiu saltar e acabou por desistir dentro da aeronave.
Veteranos que carregam história
Ao observar a movimentação, Alexandre Ferreira mantém a serenidade de quem viveu o paraquedismo como profissão. Natural da Póvoa de Santarém, serviu como paraquedista militar em Moçambique entre 1971 e 1973 e acumulou cerca de dois mil saltos ao longo da carreira.
Participou em competições, que o levaram a bater registos, e recorda a juventude passada a perseguir aviões nas pistas. Hoje prefere rever os outros a saltar do que voltar a saltar ele próprio: “Já vivi muito”, resume, valorizando a emoção dos novatos sem sentir necessidade de repetir a experiência.
- Fundação: clube prestes a completar 50 anos (1977–2027).
- Sede: Vila Nova da Barquinha; treinos na Área Militar de Tancos.
- Atividades: formação de paraquedistas, batismo de salto, competição.
- Conquistas recentes: título nacional de precisão de aterragem no ano passado.
- Desafios: renovação geracional nos corpos dirigentes, aumento de custos e passivo financeiro.
Direção e futuro institucional
Na presidência está Carlos Jerónimo, dos sócios fundadores e antigo Chefe do Estado‑Maior do Exército. Aos 70 anos, continua ligado ao clube e evoca o primeiro salto, em 1974, quando os paraquedas ainda eram redondos — uma imagem de outra era do desporto.
Presidente há cerca de 25 anos, Jerónimo sublinha que o Pára-clube forma atualmente mais praticantes do que qualquer outro em Portugal e mantém uma presença dominante nas provas nacionais. Apesar do orgulho nas vitórias e na continuidade, aponta limitações conhecidas: a dificuldade em atrair nova gestão, a pressão dos custos operacionais e uma dívida que arrasta desde antes do seu mandato.
O balanço é de ambição conservada: o clube quer preservar o legado e continuar a servir tanto os que procuram um batismo de voo como os competidores de alto nível. O desafio imediato é transformar o aniversário de 2027 numa oportunidade concreta de renovação — de recursos, equipa dirigente e visibilidade pública.
Enquanto isso, a vida em Tancos segue: aviões na pista, instrutores a coordenar e pessoas que, por um instante, escolhem encarar o céu de frente.












